Tarso diz que não vai usar denúncias contra Yeda nas eleições

Ministro negou ingerência nas investigações do suposto esquema de desvio de recursos públicos no Detran

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 14h21

Disposto a deixar o governo no início de janeiro do ano que vem, o ministro da Justiça, Tarso Genro, assegurou nesta quinta-feira que não vai levar para a campanha ao governo do Rio Grande do Sul as denúncias contra a governadora Yeda Crusius (PSDB), acusada em ação civil de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal de ser beneficiária de uma fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran gaúcho. Pré-candidato do PT, Tarso disse que pretende antecipar sua desincompatibilização para descansar, aprofundar os estudos sobre o Estado e passar pelo menos um mês em viagens ao interior.

 

Veja também:

linkGravação contra Yeda vaza na web

linkAdvogado pedirá à Justiça exclusão de Yeda em ação

linkDeputados obtêm acesso a processo contra Yeda Crusius

linkYeda Crusius acusa procuradores do Ministério Público Federal

linkMinistério Público pede afastamento de Yeda

 

"Não se faz política no Rio Grande do Sul somente na grande região metropolitana", observou, destacando que a decisão está nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Se ele concordar, eu saio no começo de janeiro", disse. "Mas se o presidente quiser que eu fique até março, eu fico".

 

O ministro voltou a negar qualquer ingerência, com intuito político, nas investigações da Polícia Federal que desmantelou o suposto esquema de desvio de recursos públicos no Detran. Ele disse que considera compreensível que a governadora, "acuada", tenha sugerido seu envolvimento. "Nunca manifestei nenhum juízo jurídico nem penal sobre a situação do Rio Grande do Sul pelo fato de que a Polícia Federal está sob minha jurisdição. Ocorre que a Polícia Federal investiga corrupção em todo território nacional", afirmou. "Como ministro da Justiça não devo manifestar opinião. Eu nem sei se a governadora é culpada ou inocente".

 

Tarso proferiu hoje uma aula magna na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disse que espera que a crise não influa no debate eleitoral, que para ele deve versar sobre um programa de redenção econômica e o retorno da estabilidade política no Estado. "Essa questão da corrupção, em primeiro lugar, ela certamente ela não vai estar julgada na oportunidade", disse, alegando que o tema "não é adequado para o debate político republicano".

 

"Não vou tratar desta questão da corrupção porque eu não creio que é correto a gente se arvorar a juiz de alguém antes das sentenças terem estabilidade de trânsito em julgado".

 

Simon - Embora tenha poupado a governadora tucana de críticas, Tarso voltou a carga contra o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que questionou publicamente o comportamento da PF. O ministro petista voltou a acusar o senador peemedebista de adotar éticas diferentes em Brasília e no Rio Grande do Sul. E reiterou que acionou a Procuradoria-Geral da República para que abrisse um procedimento no controle externo da PF.

 

"O procurador (Roberto Gurgel) já recebeu a petição faz 15 dias e está esperando que alguém tenha a iniciativa de apresentar algum indício. Não vão apresentar porque não tem indício, não tem intervenção", afirmou.

 

Patrus - Questionado sobre a sucessão estadual em Minas, Tarso defendeu a candidatura do colega de Esplanada, Patrus Ananias, que estava ao seu lado na entrevista. O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome disputa com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, a indicação como candidato petista ao Palácio da Liberdade. O PMDB mineiro cobra um acordo com o PT em torno da candidatura do ministro das Comunicações, Hélio Costa.

 

"Eu queria vir aqui para trabalhar para a campanha do Patrus, para eleger ele governador do Estado. Vou fazer tudo que eu puder para que ocorra isso", disse o ministro da Justiça, lembrando que no Rio Grande do Sul não há possibilidade de aliança entre petistas e peemedebistas. "O principal opositor do presidente Lula é o PMDB, através do senador Simon. Então, é um amor impossível".

Tudo o que sabemos sobre:
Tarso GenroYeda Crusiuseleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.