Tarso diz que denúncia de grampo a ministros do STF é falsa

Ministro rebate acusação de revista e diz que e-mail apócrifos foram recebidos por Marco Aurélio Mello

Vannildo Mendes,

20 de agosto de 2007 | 10h45

O ministro da Justiça, Tarso Genro, confirmou nesta segunda-feira, 20, que são falsas as denúncias de que agentes federais estariam negociando escutas telefônicas com conversas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Matéria publicada neste final de semana pela revista Veja denuncia a suspeita de ministros do STF de que estariam sendo "vigiados". A revista já cita o resultado da investigação pela PF de parte da denúncia, como obra de "estelionatários".  Veja Também:  Ministros do STF suspeitam que estão sendo grampeados pela PF     A investigação da Polícia Federal, segundo o ministro da Justiça, concluiu que e-mails apócrifos recebidos pelo ministro Marco Aurélio de Mello, relatando o suposto grampo, era de autoria de um ex-funcionário do INSS que, por vingança, depois de ser exonerado por corrupção, tentou incriminar um delegado da PF que o investigou.  Tarso disse que informou o resultado das investigações ao ministro Marco Aurélio, há cerca de um mês e que ele ficou satisfeito. "São deturpações que ocorrem, mas que não afetam as instituições, porque no Brasil as instituições são sólidas", afirmou Tarso. Sobre os grampos telefônicos, o ministro disse que a PF não faz grampos ilegais. Disse que qualquer denúncia concreta será apurada e "exemplarmente punida", porque o policial que fizer esse tipo de monitoramento ilegal estará cometendo "uma afronta à PF, que vem se aperfeiçoando desde a redemocratização do País".  Para Tarso, a discussão a respeito dos limites das escutas telefônicas é saudável. "Nós que combatemos a ditadura e somos alvos das mais pesadas e escrachantes arbitrariedades, não podemos concordar com grampos ilegais e somos favoráveis a um maior rigor no uso de monitoramentos telefônicos", disse.  A denúncia  Os ministros Sepúlveda Pertence, Cezar Peluso, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Gilmar Mendes são alguns ministros que suspeitam dos grampos. Há casos de vendas de gravações, de vazamento de informações para jornalistas e de suspeita de traição. Ministros envolvidos em julgamento de pessoas presas da PF também estariam sendo grampeados. O ministro Marco Aurélio Mello, por exemplo, contou que foi informado de que gravações de seus telefonemas estavam sendo negociadas em Campo Grande.  Segundo a Veja, o ministro Gilmar Mendes, que trabalhou da Operação Navalha, contou que foi consultado por um jornalista sobre a possível soltura de um dos presos na operação. Dias antes, havia tido uma conversa com um procurador sobre a necessidade de manter algumas pessoas presas. Ao questionar o procurador, que informou não ter comentado com ninguém sobre o asunto, o juiz teve a certeza de que era monitorado. De acordo com a revista, o ministro Sepúlveda Pertence teria antecipado seu pedido de apostendoria, feito na semana passada, por conta dos grampos. O juiz já foi cotado para assumir o Ministério da Justiça, órgão que controla a Polícia Federal. Ministros que julgam pessoas presas pela PF também estariam sendo alvo das gravações telefônicas. Cezar Peluso, responsável por casos da Operação Hurricane (furacão, em inglês), que investigou a susposta compra de sentenças judiciais, afirmou que, em setembro de 2006, começou a desconfiar que seus telefones estavam com chiados. À época, ele contratou uma empresa, que também detectou gravações ilegais nas linhas do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, e Marcelo Ribeiro, do Tribunal Superior Eleitoral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.