Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Tarso diz que aliança com Maia é 'novo capítulo de destruição' do PT

Ala majoritária do PT, com aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defende o apoio a Rodrigo Maia para sucessão na presidência da Câmara dos Deputados

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2016 | 23h33

Em carta aberta a deputados da corrente Mensagem ao Partido, enviada neste domingo, o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro condenou as negociações para sustentar a candidatura do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara, batizando a articulação como "um novo capítulo de destruição do PT". A disputa para a sucessão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deve ocorrer na próxima quarta-feira e a ala majoritária do PT, com aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defende o apoio a Maia.

Ex-ministro de Lula, Tarso afirma no texto que a aliança com o DEM é "sombria e suicida". A bancada do PT na Câmara fará reunião nesta segunda-feira para decidir o caminho a seguir. O partido está rachado. Embora a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), grupo de Lula, queira se associar ao PC do B e ao PDT na adesão a Maia, alas mais à esquerda no espectro ideológico do petismo se opõem a esse acordo.

Maia não apenas votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff como fez campanha pelo afastamento da presidente. "Caros companheiros, sei que vocês não compartilham desta nova etapa da estratégia aliancista já falida, mas é necessário que falem alto sobre isso", escreveu Tarso, na carta dirigida a deputados do PT, na qual propõe uma autocrítica sobre os rumos da legenda.

"Denunciem publicamente este novo capítulo de destruição do PT e digam claramente que, se isso ocorrer, o PT perde a oportunidade de (...) compor, com outras forças políticas, personalidades, frações de partidos (...) e lideranças da sociedade civil um novo campo de alianças. Um campo que nos liberte da tutela do pragmatismo e das relações de conveniência sem princípios", insistiu ele.

Na avaliação do grupo que prega o apoio a Maia, porém, somente com esta aliança será possível se contrapor ao Centrão, bloco que abriga cerca de 270 dos 513 deputados e, sob ordem de Cunha, foi fundamental para aprovar a deposição de Dilma. Além do PT, do PC do B e do PDT, as negociações para fazer de Maia a ponta de lança contra o Centrão também envolvem o PSDB, o PPS e o PSB.

"O fato de estarmos na defensiva, nos dias que correm, não nos 'relaxa' para tolerar alianças com inimigos históricos do pensamento democrático. (...) Não troquem a dignidade de uma solidão com futuro pela falsa alegria dos vencedores sem propósito", argumentou Tarso na carta a correligionários.

Integrantes da corrente Mensagem defendem o aval à candidatura do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), que foi ministro da Saúde de Dilma e votou contra o impeachment. Uma ala do PT também tem simpatia por Fernando Giacobo (PR-PR), interessada na segunda vice-presidência da Câmara, cargo hoje ocupado por ele. Giacobo é considerado o candidato do "baixo clero", grupo de deputados com pouca expressão política. No Centrão, o favorito para a disputa é o líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF), próximo a Cunha.

 

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