Tarso defende punição por vandalismo no laranjal

Ministro lembra que 'lei é feita para todos, tanto para pessoal do Opportunity, quanto para camponeses'

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

09 Outubro 2009 | 19h16

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que as pessoas que participaram da depredação de uma fazenda da empresa Cutrale no interior de São Paulo "têm que responder, têm que ressarcir e têm que pagar" pelos atos que praticaram. Em breve entrevista coletiva em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, nesta sexta-feira, 9.

 

Tarso concordou com a qualificação de "vandalismo" dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ação de um grupo ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que destruiu parte de um laranjal e danificou tratores e equipamentos da fazenda.

 

"A lei é feita para todos, de maneira indistinta; ela é feita para o pessoal do Opportunity, para as pessoas de classe média e também para as pessoas, sejam camponeses ou operários, que cometem delitos e ações ilegais que violentam o direito dos outros", advertiu.

 

Segundo Tarso, a questão é de ordem pública local, de competência da Justiça Estadual de São Paulo, e as pessoas terão de ser identificadas e responsabilizadas individualmente. "Não se trata de falar em movimento, porque não podemos incriminar em grupo, a incriminação em abstrato não é permitida no direito brasileiro", destacou. "As pessoas que cometeram aquilo ali seja em nome do MST ou seja em nome do que for, têm que responder".

 

Tarso esteve em Canoas para a cerimônia de implantação de um "Território da Paz" no bairro Guajuviras, considerado um dos mais violentos do País. A solenidade reuniu cerca de mil pessoas, a maioria jovens e estudantes de escolas próximas, no local que será destinado a uma praça com quadras de esportes. O projeto, vinculado ao Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), prevê policiamento comunitário, centro de esportes, cultura e lazer e programas de auxílio financeiro a jovens para que participem de atividades de educação e formação profissional em vez de se deixarem cooptar pelo crime.

 

Apesar de provocado pelos jornalistas, Tarso evitou falar da conturbada situação política do Rio Grande do Sul e, mesmo que seja candidato ao governo do Estado em 2010, não comentou a aprovação do arquivamento do pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB) por uma comissão especial da Assembleia Legislativa. Disse apenas que observa a situação, sem emitir juízo. "Espero que o Rio Grande do Sul se pacifique e retome o caminho do crescimento e da tranqüilidade", reiterou, encerrando a entrevista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.