Tarso avisa que PF está à disposição para apurar tudo

Ministro age rápido para afastar suspeitas de envolvimento do episódio

João Domingos e Tânia Monteiro, Brasília, O Estadao de S.Paulo

01 de setembro de 2008 | 00h00

Escaldado pelas acusações de partidos de oposição de que usaria a Polícia Federal para atingir adversários políticos, o ministro da Justiça, Tarso Genro, agiu rápido para afastar de sua pasta qualquer suspeita quanto à responsabilidade pelo grampo ilegal feito nos telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes.Tarso não só lembrou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é subordinada ao gabinete da Segurança Institucional, do Palácio do Planalto, como pôs a Polícia Federal à disposição para apurar os fatos. A PF está à disposição do Ministério Público, da Presidência da República e da Abin para fazer as investigações necessárias, informou ontem a assessoria do ministro. O mesmo comunicado foi feito por Tarso Genro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. BOMBEIRODa parte do Supremo Tribunal Federal (STF), dois ministros assumiram posições opostas na crise. Marco Aurélio Mello, que costuma agir como incendiário, desta vez atuou para acalmar os ânimos. Assim que foi comunicado de que o presidente do Supremo convocara uma reunião emergencial da Corte, ele conversou com Mendes e ponderou que não era hora de atacar nem responsabilizar Lula pelos grampos ilegais. "A indignação primeira é impactante, mas não podemos complicar ainda mais o contexto. Não cabe chamar o presidente ao Supremo", ponderou, ao saber que Gilmar Mendes queria convocar Lula. "Não estou de bombeiro, mas não cabe incendiar", afirmou ainda. Já o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, que é sempre ponderado e costumava tratar o assunto grampo com certo menosprezo, resolveu mudar o tom. "De início, eu não me preocupei demasiadamente, porque atribuí os fatos a um açodamento no curso de investigações criminais. Agora essa preocupação se tornou mais séria. Percebi que aquela clandestinidade de escutas sinaliza total descontrole por parte dos próprios escalões superiores de órgãos como a Polícia Federal e a Abin", disse ele."No caso, ao que parece, nem a própria Abin tem explicações convincentes para episódios como este. A minha preocupação é tanto maior quando se sabe que a Abin não é polícia judiciária e, portanto, não pode fazer investigação criminal. Nem por ordem judicial ela poderia interceptar comunicações telefônicas", afirmou. Juntamente com Gilmar Mendes e Cezar Peluso, Ayres Britto participará hoje da reunião com o presidente Lula.Marco Aurélio acha que o cenário é de crise institucional e, exatamente por isto, diz que é preciso ter serenidade. "Precisamos preservar as instituições pátrias sob pena de ter a Babel e a lei do mais forte vigorando o Estado policialesco". Ele entende que o melhor caminho é não generalizar. "Não há contaminação de toda a Abin, nem de todo o Ministério Público, todo o governo, toda a magistratura", disse ele.

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