Tarso ataca imprensa e diz que atletas quiseram voltar a Cuba

Segundo o ministro, parte da imprensa usa o tema para fazer propaganda contra ilha de Fidel

Elder Ogliari, do Estadão ,

10 de agosto de 2007 | 17h38

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que vai confirmar à Comissão de Relações Exteriores do Senado, em data a ser agendada, que os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara saíram do Brasil e voltaram a Havana porque quiseram e não porque foram deportados.  Rigondeaux e Lara, os dois principais astros do boxe cubano, foram repatriados no último domingo, após três dias de detenção, depois de uma frustrada tentativa de deserção em julho, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio.     Veja também:     Você aprova a conduta do governo no caso dos atletas cubanos? Agência alemã diz que Cuba ameaçou família de boxeadores Cubanos foram repatriados, não deportados, diz secretário de Justiça Cronologia do caso dos boxeadores cubanos Boxeadores cubanos dizem que PF tentou convencê-los a ficar Leia íntegra do artigo de Fidel sobre os boxeadores no Granma Fidel Castro estuda ação drástica após deserção de pugilistas Tarso será convidado a explicar caso dos boxeadores cubanos   "É isso o que ocorreu e é essa explicação que eu vou dar, mostrando toda a documentação", reiterou, em diferentes entrevistas dadas nesta sexta-feira em Porto Alegre, onde apresentou o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) a prefeitos de municípios gaúchos.   Para Tarso, uma parte da imprensa brasileira insiste em tratar o tema como deportação porque gostaria de usar a retenção dos esportistas no País como propaganda contra Cuba. "Talvez preferissem que praticássemos um seqüestro, mas não vão levar", avisou. "Não vamos fazer isso nem com americanos, nem com chineses, nem com cubanos, nem com ninguém".   Em sua argumentação, o ministro destacou que os atletas cubanos que abandonaram a delegação no Pan-Americano e quiseram ficar no Brasil - o jogador de handebol Rafael Capote e o técnico de ginástica artística Lázaro Lamelas - ainda estão no País. "Os que foram, queriam ir, os que ficaram, queriam ficar, mas parece que isso não entra na cabeça de alguns jornalistas e críticos do governo", sustentou Tarso ao responder perguntas ao vivo do apresentador Luiz Carlos Reche num telejornal da TV Record.   Ao analisar o que levaria um bicampeão olímpico (Rigondeaux) e um campeão mundial (Lara) a querer voltar a viver num regime fechado como o cubano, Tarso citou seus próprios sentimentos quando viveu a condição de exilado durante a ditadura militar. "Eu saí do meu País na época do (ex-presidente Emílio Garrastazu) Médici e no outro dia já estava querendo voltar", lembrou.   Tarso disse estar convicto de que os boxeadores se sentiram abandonados por contratantes que ficaram de levá-los à Alemanha e recorreram inicialmente à polícia estadual do Rio de Janeiro, que transferiu o caso para a Polícia Federal. E vai dizer aos senadores que por duas vezes, inclusive por orientação sua, a Polícia Federal informou aos dois cubanos que eles poderiam ficar no Brasil como refugiados se desejassem. Segundo o ministro, nos dois casos os esportistas responderam que queriam voltar para Cuba.

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