Tarso alerta arrozeiros contra violência em Raposa Serra do Sol

Um dia depois do início do julgamentosobre a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, emRoraima, o ministro da Justiça, Tarso Genro, alertou osarrozeiros que disputam a área contra o uso da violência eafirmou que o conflito não é uma luta de índios contra brancoou de índio contra arrozeiros. "Não apelem para a violência que o Estado de direito estáchegando à região", avisou o ministro em um recado aosprodutores de arroz da região ao falar com jornalistas duranteevento no Palácio do Planalto nesta quinta-feira. "Não adianta estourar pontes, fazer ações violentas contrao Estado e fazer mobilizações que levem à violência. Não é umavitória de índio contra branco ou de índio contra arrozeiro",afirmou Tarso, acrescentando que, se necessário, haverá reforçona região. Na véspera o Supremo, Tribunal Federal (STF) interrompeu ojulgamento sobre a legalidade da demarcação da reserva em áreacontínua após pedido de vista do ministro Carlos AlbertoMenezes Direito. Antes dele, o relator do caso, ministro CarlosAyres Britto, votou favoravelmente aos indígenas. Nesta quinta, Tarso parabenizou o voto de Britto, maslembrou que essa agenda ainda não está encerrada. "Mas achamosque a solução está bem encaminhada", afirmou para acrescentarque o Ministério da Justiça respeitará a decisão do STF sejaqual for. A ação que contesta a legalidade da reserva foi apresentadapelos senadores Augusto Botelho (PT-RR) e Mozarildo Cavalcanti(PTB-RR). Localizada no Estado de Roraima, na fronteira do Brasil coma Venezuela e a Guiana, a reserva Raposa Serra do Sol tem 1,7milhão de hectares. Cerca de 19 mil índios de cinco etniasmoram na área, em 194 comunidades. Já os produtores de arroz que têm fazendas dentro dareserva sustentaram que o laudo antropológico feito pela Funai,órgão subordinado ao Ministério da Justiça, é falho e nãocomprova que Raposa Serra do Sol era ocupada por índios nopassado. (Reportagem a de Natuza Nery, Edição de Alexandre Caverni)

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