Tarso acha suposto caixa 2 ''questão secundária''

Segundo ele, suspeita de crime eleitoral só será objeto de investigação se Justiça determinar

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

01 de abril de 2009 | 00h00

O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem que a suspeita de crime eleitoral contra partidos e políticos de oposição, levantada na Operação Castelo de Areia, "é uma questão secundária". Segundo o ministro, ela só será objeto de investigação se o Ministério Público e a Justiça Eleitoral determinarem. Antes, afirmou Tarso, "é preciso checar se realmente ocorreram financiamentos ilegais".Num visível esforço para apaziguar os ânimos no meio político, intrigado e alvoroçado com a ausência do PT e de parlamentares da base governista entre os envolvidos no escândalo, o ministro disse: "Reitero: o inquérito da Castelo de Areia não está acusando nenhum partido de ter recebido financiamento ilegal."No conjunto foram sete os partidos acusados de recebimento ilegal de recursos, por meio de caixa 2, da Construtora Camargo Corrêa. São quase todos partidos de oposição. A lista também incluiu os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e deputados, entre eles José Carlos Aleluia (DEM-BA).O diretor-geral da PF fez coro com Tarso. Ontem, depois de se encontrar com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, Corrêa disse: "A Polícia Federal não se moveu, não praticou nenhum ato motivado por questões partidárias ou políticas", afirmou.OUTRO INQUÉRITOTarso negou que tenha havido direcionamento político no inquérito, que nasceu para investigar denúncia de crime financeiro, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal contra a construtora. Segundo as afirmações do ministro, a verificação de crime eleitoral será feita, em outro inquérito, se o Ministério Público e a Justiça Eleitoral entenderem ser relevante.Ele também culpou o sistema político brasileiro, em parte, pelas distorções verificadas na investigação. "Financiamentos ilegais ocorrem frequentemente, e continuarão a ocorrer, enquanto não fizermos uma reforma política", enfatizou. Segundo o ministro, é urgente aprovar a proposta de reforma, em tramitação no Congresso, que inclui financiamento público de campanhas, com o controle mais rigoroso da Justiça Eleitoral. "Embora o tema financiamento de campanhas eleitorais tenha tido maior divulgação - saliente-se, não por parte da Polícia Federal -, essa é uma questão totalmente secundária no inquérito", reforçou. Ele evitou rebater diretamente as declarações do presidente do Supremo, que defendeu o controle externo das operações da PF. Mas lembrou que esse controle já existe e é exercido pelo Ministério Público, como prevê a Constituição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.