Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Tarcísio é o terceiro ministro a votar contra cassação da chapa

Titular do TSE alega não haver 'fatos concretos, apenas ilações' de que houve abuso de poder político e econômico na campanha vencedora de 2014

Thiago Faria, Isadora Peron e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 18h42

BRASÍLIA - Como já era esperado, o ministro Tarcísio Vieira, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também votou contra a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer. Ele foi o quarto ministro a votar. O placar está 3 a 1 contra a cassação. "Não há fatos concretos, apenas ilações abstratas de que houve abuso de poder político e econômico", disse Tarcísio ao votar.

Por enquanto, apenas o relator do caso, Herman Benjamin, votou pela cassação por entender que houve abuso de poder político e econômico durante a campanha de 2014. Admar Gonzaga e Napoleão Nunes Maia tiveram o mesmo entendimento de Tarcísio.

Em seu voto, o ministro afirmou que não iria considerar a chamada "fase Odebrecht", quando foram colhidos os depoimentos de Marcelo Odebrecht e do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura.

Para Tarcísio, não há como aferir credibilidade dos testemunhos dos delatores, e eles devem ser tratados com "muita cautela".

Mesmo que considerados, afirmou o ministro, não há "prova cabal" de que recursos desviados da Petrobrás abasteceram a campanha eleitoral. "Depoimentos de ex-dirigentes da Petrobrás nada dizem sobre financiamento eleitoral de 2014", disse o Tarcísio. "Não há provas de que Dilma ou Michel Temer tinham conhecimento de tal sistema de propinas."

Para ele, "provas produzidas indicam que recursos ilícitos iam para partidos e dirigentes, mas não mostram que pagamentos de propina iam para campanha eleitoral". "Estamos diante de fatos graves que devem ser apurados por esferas competentes. É confortante notar que essas práticas já estão sendo atacadas pela Lava Jato."

A exemplo de Admar, Tarcísio também chegou ao posto de ministro titular da corte eleitoral por indicação de Temer.

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