Tápias teve forte desentendimento com Ministério da Fazenda

Uma série de desentendimentos com o Ministério da Fazenda marcou todo o período de Alcides Tápias à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Logo no início da sua administração, Tápias manifestou a intenção de ter o controle sobre as decisões referentes o imposto que incide sobre as operações de comércio exterior. Comprou briga de imediato com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, e de quebra com o ministro Pedro Malan. A mais grave terminou com a intervenção pessoal do presidente Fernando Henrique Cardoso. Durante um encontro de comércio exterior, no Rio de Janeiro, no início deste ano, Tápias se irritou com uma declaração de Maciel à imprensa de que não estava informado sobre uma medida que tratava do aumento do ressarcimento do PIS/Cofins nas exportações. O que mais teria chateado Alcides Tápias foi o fato de que, no evento, o Ministério do Desenvolvimento e a Câmara de Comércio Exterior (Camex) estavam justamente anunciando um pacote de medidas de incetivo às exportações e a do PIS/Cofins se incluía no conjunto. Rumores circularam de que Tápias teria pedido ao presidente a cabeça do secretário da Receita. O ministro não aceitou o que considerava ser um desrespeito à hieraquia do governo, já que ele (Tápias) era ministro e Maciel, secretário. A briga acabou com uma declaração de apoio do próprio Fernando Henrique à Tápias, do Panamá, e mais tarde na reestruturação da Camex, que ganhou mais poderes para decidir sobre medidas relacionadas a sua área. No papel, a Camex ganhou mais poderes, mas na prática continou prevalecendo a força do Ministério da Fazenda. Isso ficou claro na divulgação do pacote tributário, no final de junho, quando o governo anunciou a desoneração da cobrança do PIS/Cofins na cadeia produtiva dos produtos destinados à exportação. Tápias não disfarçava nos últimos tempos o descontetamento em relação ao distanciamento do Ministério do Desenvolvimento dos principais assuntos econômicos. Apesar de representar no governo o setor produtivo, o Ministério ficou fora das decisões do programa de racionamento de energia e da crise diplomática e comercial com a Argentina. Não passou despercebida a ausência de Tápias na entrevista em que o ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, concedeu no Brasil ao lado dos ministros Pedro Malan (Fazenda), Pratini de Moraes (Agricultura) e Celso Lafer (Relações Exteriores). Cavallo anunciou na ocasião a formação de um grupo de alto nível dos Países do Mercosul para a reestruturação da Tarifa Externa Comum (TEC), assunto da pasta de Tápias, que apenas participou da reunião. O ministro Tápias também ficou afastado das decisões sobre reforma tributária, da qual ele se autodenominou "guerrilheiro" em seu discurso de posse. Não foram poucas as vezes que circularam boatos e notas na imprensa de que Tápias sairia do governo e também de que o presidente estaria insatisfeito com a sua atuação no Ministério do Desenvolvimento.

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