Felipe Rau/Estadão - 12/11/2021
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Eliane Cantanhêde
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Tancredo paira sobre as prévias do PSDB: 'Voto secreto dá uma vontade danada de trair'

A prévia do PSDB injeta ânimo e chama a atenção da mídia para o partido, que saiu chamuscado, ou um tanto depenado, das eleições de 2018. Não fossem elas, quem estaria falando em nomes tucanos?

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2021 | 03h00

Olhando o copo meio vazio, o PSDB tem em torno de 600 mil filiados ativos no TSE, mas só 44.700 se inscreveram para as prévias deste domingo, menos de 10% e 300 a menos que os 45.000 que reforçariam o número 45 do partido. Parece muito pouco.

Mirando o copo meio cheio, 44.700 filiados votando numa prévia partidária não é irrelevante no Brasil. Trata-se de uma mobilização e tanto, que injeta ânimo e chama a atenção da mídia para o PSDB, que saiu chamuscado, ou um tanto depenado, das eleições de 2018. Não fossem as prévias, quem estaria falando em nomes tucanos?

A campanha do governador João Doria (SP) avisou que “o candidato favorito” chegaria ontem a Brasília. A consultoria Eurasia, porém, aponta vantagem do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Na verdade, o resultado é incerto e as apostas são arriscadas. A única coisa certa é que tanto Doria quanto Leite representam renovação. Para o bem ou para o mal.

Leite se apresenta como “o novo, o inusitado” e tem apoio dos mandatários, como os três governadores, 32 deputados federais e sete senadores. Doria reage dizendo que, com o desmanche do País, o eleitor “não quer fazer teste, quer segurança”. E, como foi mais eficaz nas inscrições, tende a ter mais votos entre os inscritos.

Além de um complexo modelo de votos ponderados, há dois motivos para o suspense. Um: quantos eleitores vão desistir na hora H, diante de um processo eleitoral complicado, cheio de senhas, isso e aquilo.

E, como dizia Tancredo Neves, “o voto secreto dá uma vontade danada de trair”. O eleitor se compromete com um ou outro de acordo com suas conveniências estaduais imediatas, mas quando vai apertar o botão a história é outra, o voto também.

Quanto à versão de que Doria e Leite bateram abaixo da linha da cintura, inviabilizaram a união entre eles e o terceiro candidato, Arthur Virgílio (AM), e o partido saiu esfacelado... é blá- bláblá. Disputa política é disputa política, cada um joga o seu jogo e tem canelada. Mas nada foi mortal, irreversível, até os debates foram mornos.

O PSDB ficou em quarto lugar em 2018, com menos de 5% dos votos, e foi um dos fatores que elegeram Jair Bolsonaro. Irritado, sentindo-se traído, o eleitorado tucano preferiu dar um tiro no escuro. Que tiro!

Apesar disso, o partido tem duas vitórias em primeiro turno, disputou todos os segundos turnos seguintes até 2014 e ostenta a herança bendita dos governos FHC. Logo, está ferido e em busca de identidade, mas é um player de 2022, que tem real espaço para uma terceira via e está apenas começando.

COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

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