Arquivo Estadão
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Tancredo apostou na infidelidade partidária para romper barreira

Político insistia na tese mesmo quando ainda se discutia a possibilidade de eleições diretas para presidente da República

Carlos Eduardo Entini, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2015 | 02h02

SÃO PAULO - Tancredo Neves apostou na infidelidade partidária para romper a barreira do Colégio Eleitoral. O colegiado, feito sob medida para homologar as candidaturas, já havia elegido dois presidentes: Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo.

Era composto pelos membros do Congresso e por delegados escolhidos pelas Assembleias Legislativas. As regras para escolha dos delegados mudavam conforme as conveniências. Em outubro de1984 a lei mudou a proporcionalidade dos delegados. A manobra privilegiou as unidades com menor população e o PDS, partido majoritário. Tancredo insistia na tese da não validade da fidelidade partidária mesmo quando ainda se discutia a possibilidade de eleições diretas.

Em novembro de 1983, ele explicou ao Jornal da Tarde que ela "transforma em autômatos os integrantes de qualquer partido (...) violenta a consciência dos correligionários".

Deixar livre a consciência dos 686 membros do Colégio Eleitoral era a brecha para a vitória. Em novembro de 1984 o TSE decidiu que parlamentares e correligionários não eram obrigados a obedecer as diretrizes partidárias. A decisão garantiu os votos da Frente Liberal, formado por dissidentes do PDS em Tancredo Neves e os 480 votos que o elegeram.

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