Pedro Filho/EFE
Pedro Filho/EFE

Talvez seja melhor que colaboração da Odebrecht se torne pública, diz procurador da Lava Jato

Integrante da força-tarefa, Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que fim do sigilo é 'melhor' para que sociedade saiba o que foi citado apesar de possibilitar destruição de provas

Daniel Weterman e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2017 | 10h59

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), afirmou que talvez a abertura do sigilo das delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht seja melhor. Afirmando que o fim do sigilo não é o ideal para as investigações, porque possibilitam a destruição de provas, mesmo assim a abertura é melhor para que toda a sociedade saiba o que foi citado, disse. "Talvez seja até melhor levantar o sigilo para todos nós sabermos quais são os fatos revelados", comentou.

O procurador também mandou um recado aos políticos, ao falar da colaboração da empreiteira, dizendo que muitos reagem de forma excessiva mesmo não sabendo se estão citados nas colaborações da Odebrecht. "Há muitos políticos que não sabem se estão na lista e estão reagindo excessivamente, pode ser que eles não estejam lá, podem estar agindo a mando de interesse de outros políticos", afirmou. Ele destacou que a abertura do sigilo era uma opinião e que isso cabia ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O procurador participa nesta quinta-feira, 9, de um debate sobre o pacote anticorrupção na Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), em São Paulo. Durante o debate, Lima falou que a colaboração premiada se tornou a principal técnica de investigação no Pais. "Não é totalmente moral, entretanto é eficaz e funciona, nós precisamos ter soluções que funcionem", disse. Ele afirmou que não é totalmente moral fazer acordo de colaboração com criminosos, mas que a prática traz resultados no combate à corrupção.

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