Tabak reafirma denúncia de favorecimento em transplantes

O ex-diretor do Centro de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Daniel Tabak reafirmou nesta terça-feira a existência de pressões políticas para beneficiar pacientes na fila do transplante de medula. Durante audiência na Comissão Externa criada pela Câmara dos Deputados para apurar denúncias de tratamento diferenciado a alguns pacientes, Tabak afirmou que pedidos sempre ocorreram. "Mas na atual administração, eles eram levados adiante", afirmou.À noite, o diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Arthur Chioro, rebateu as acusações, afirmando que Tabak "tem furor para estabelecer uma crise". "Ele posa como paladino da moral, mas cometeu irregularidades", disse Chioro. Nesta quarta-feira, durante a audiência na Câmara dos Deputados, o diretor deverá relatar o teor de e-mails enviados por Tabak ao ministério. Neles, o hematologista afirma ter realizado transplantes em hospitais que não teriam credenciamento do Ministério da Saúde, o que é proibido em lei.Tabak afirmou que, entre os beneficiados da fila de transplantes estaria uma paciente do interior de São Paulo, cujo pedido para aceleração dos exames de compatibilidade de medula teria partido do vice-presidente José Alencar. "O caso da moça foi resolvido em 10 dias. Para outros pacientes, a espera é de nove meses", afirmou. Ele questionou ainda a afirmação do Ministério da Saúde de que o transplante não foi feito e, por isso, não houve prejuízo ao Erário. "Os exames foram feitos. Estava tudo pronto. Não sei o motivo que levou à interrupção do procedimento, mas os gastos já ocorreram".Tabak afirmou estranhar que ele e a coordenadora do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), Iracema Salatiel tenham sido condenados por agir sob pressão. "Nós acatamos a pressão. Mas a mesma sindicância reconheceu que a Secretaria de Assistência à Saúde atuou pressionada. E engraçado é que o secretário não foi exonerado".

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