Sussekind deixa secretaria do Ministério da Justiça

O novo secretário de Justiça do Ministério da Justiça é o advogado João Benedicto de Azevedo Marques, ex-secretário da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo que, desde de dezembro passado, presidia o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Marques substituirá Elizabeth Sussekind, convidada em agosto de 1999 e que sobreviveu a três mudanças no comando do ministério. Sussekind foi secretária dos ex-ministros José Carlos Dias, José Gregori e Aloysio Nunes Ferreira. O novo ministro Miguel Reale Junior nomeou Marques e também indicou a advogada Ivete Viegas para a secretaria executiva. É a primeira vez, desde a criação do ministério, em 1822, que uma mulher assume esse cargo que inclui, entre outras funções, substituir o ministro em suas ausências. E decidiu também trocar o atual secretário Nacional de Segurança Pública, Pedro Alvarenga. Ainda não divulgou o novo nome.Balanço"Não saio chateada, gostaria apenas de ter feito mais", afirmou Sussekind, que ao invés de estar lecionando e participando de ONGs gostaria de ter trabalhado no Estado, há mais tempo, e utilizar a "máquina" para melhorar o sistema prisional. A ex-secretária fez um balanço sobre os êxitos no cargo, entre elas a utilização de penas alternativas para punir infrações pequenas, sem violência. "Criamos 35 centrais de penas alternativas", diz.Segundo ela, o governo Fernando Henrique Cardoso conseguiu abrir 26 mil vagas nos presídios, uma marca superior a obtida nos últimos 30 anos. O déficit, afirma, é de 165 mil vagas. Sussekind planejava lançar um concurso público, no próximo mês, para novos projetos de custódia de presos. "As idéias dentro do sistema estão viciadas", avalia ao afirmar que os modelos de penitenciárias se parecem com uma "caixinha de sapato cheia de furinhos para colocar ratinhos". Ela espera que o novo secretário mantenha a viagem ao Banco Interamericano de Desenvolvimento para conseguir empréstimo para a construção de mais 200 presídios.A ex-secretária também elogiou a política de refugiados. O Brasil, segundo ela, ganhou respeito internacional. Hoje, existem no País 3 mil refugiados. Na próxima sexta-feira, chegarão a Porto Alegre 23 afegãos que contestavam o regime talibã. MéxicoSussekind voltou a defender a decisão de negar refúgio político para a cantora mexicana Gloria Trevi, que engravidou na carceragem da Superintendência da Polícia Federal. A ex-secretária diz que o pedido de refúgio de Gloria, do ex-empresário Sergio Andrade e da ex-secretária Maria Raquenel não passava de um complô para ganharem tempo. "Espero que eles retornem imediatamente para o seu país."Hoje, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que casse decisões da Justiça Federal de Brasília beneficiando a cantora. Essas sentenças estão emperrando a extradição de Gloria e dos seus ex-assessores.

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