Suspense e corre-corre marcam chegada de Bush ao hotel

Cerca de 400 homens do Exército cercavam o Hotel Hilton desde as 15h desta quinta-feira para a chegada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Ninguém entrava e ninguém saía do hotel sem autorização. No início da noite, o suspense era total sobre a hora e por onde Bush, sua mulher, Laura, e a comitiva norte-americana chegariam. Jornalistas e curiosos, principalmente crianças e jovens que moram próximos ao hotel, principalmente no Brooklin, se aglomeraram em uma das únicas entradas por terra por onde Bush poderia chegar: a esquina da Avenida Luís Berrini com a rua John Bird, uma entrada lateral.Populares especulavam que, por terra, a comitiva só poderia entrar por ali, pela Avenida das Nações Unidas - por onde Bush teria que caminhar para chegar ao hotel -, ou pelo subsolo da Torre Sul do complexo das Nações Unidas, que também foi fechado por militares.A dona de casa Deise Almeida Lima, 25 anos, trouxe a filha de 2 anos no colo, toda a família e os vizinhos para tentar ver Bush. "O que a gente queria é que ele saísse do carro e acenasse para nós. Mas isso eu sei que é quase impossível. Se eu conseguir ver o carro, já vou ficar feliz. Não é todo dia que o Bush vem aqui, a duas quadras de minha casa", disse entusiasmada.Os amigos Joice da Frota, Walter Freitas e Carlos Eduardo Pinto se encostaram em um muro próximo ao hotel porque não podiam ir embora: eles trabalham na Torre Norte do complexo das Nações Unidas e foram proibidos de chegar ao estacionamento pelos militares. Assim como eles, vários funcionários de empresas que atuam no local tiverem que esperar o casal Bush chegar para ir embora. A ordem era: "Ninguém passa".Uma manifestante vestindo apenas uma calcinha verde e amarela e com os seios e o corpo pintados com os dizeres "Fora Bush" foi detida pela Polícia Militar nas proximidades do hotel, onde o casal Bush e o alto escalão norte-americano passará a noite e terá encontros com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira.Corrida de jornalistasA movimentação intensa começou às 20h30. Homens armados bloquearam a Avenida Luís Berrini, em ambas as vias de acesso, e a Polícia Federal afastou os curiosos do lugar. Às 20h40, o helicóptero que fazia a escolta aérea da comitiva se aproximou. A comitiva surgiu na Avenida Berrini às 20h55. Eram cerca de 40 carros grandes que acompanhavam duas limusines. Acredita-se que Bush e sua mulher estavam na segunda. Mas, a comitiva enganou os populares e os jornalistas e, em vez de entrar na avenida John Bird, seguiu pela Berrini e entrou na rua Arizona. Foi uma correria total.Na entrada do hotel, caminhões e homens do Exército rapidamente cercaram os carros da comitiva e impediram a imprensa de se aproximar. As duas limusines, com as bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos, se separaram ao subir uma ladeira de acesso ao Hilton. Não se sabe como Bush e sua mulher entraram no hotel. O alemão Marc Tieaili, 23 anos, natural de Colônia, no oeste do país, acompanhou a correria dos jornalistas até a entrada do hotel. Atuando como trainee há poucos dias no Consulado Alemão em São Paulo, Marc disse que saiu do trabalho mais cedo para tentar ver o presidente norte-americano."Estou adorando a cidade e seria muito melhor se eu conseguisse ver Bush. Será que eu consigo vê-lo amanhã (sexta-feira) se eu ficar plantado aqui no hotel?", questionou Marc. Em seguida, militares se aproximaram do grupo onde o alemão estava. "Todo mundo saindo, não dá para ficar aqui".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.