ROBERTO JAYME/ASCOM/TSE–28/3/2017
ROBERTO JAYME/ASCOM/TSE–28/3/2017

Suspense até o final marca voto de ministra

Fiel da balança no julgamento do HC de Lula, Rosa Weber fez balançar as duas torcidas

Luiz Maklouf Carvalho, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2018 | 00h45

Um inusitado sorriso aberto da ministra Carmem Lúcia, às 19h25, comemorou o voto intrincado da ministra Rosa Weber, que não concedeu o habeas corpus pedido pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente do Supremo estava em estado de alerta desde o começo da sessão, na tarde de ontem, quando o voto fora da ordem do ministro Gilmar Mendes criticou-a por não colocar em votação duas ações declaratórias de constitucionalidade que discutiriam a questão de fundo - se a execução provisória da pena após a segunda instância atropela ou não o princípio constitucional de presunção da inocência - e sim o HC 152752, personalizado na figura do ex-presidente da República, condenado na primeira e na segunda instâncias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

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Pegando uma carona no voto fora da ordem de Mendes, o ministro Marcos Aurélio espicaçou a presidente da Corte: “Em termos de desgaste, a estratégia não poderia ser pior”, disse, ainda ressabiado por Carmem Lúcia ter dito, tempos atrás, que colocar as ADCs em julgamento seria “apequenar o tribunal”. A ministra disse que o contexto do comentário não era bem aquele - e também não deixou sem resposta comentários semelhantes do ministro Ricardo Lewandowski

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Algumas horas depois, já noite, Marco Aurélio modificou sua frase: “Venceu a sua estratégia, de não ter colocado as ADCs em votação”, disse à colega ministra em tom acusatório. Estava claramente contrariado, como o vizinho de poltrona, Lewandovski, com o voto da ministra Rosa Weber - só passível de adivinhação depois de pelo menos vinte minutos de peroração. Pareceu, esse tempo todo, que a ministra mais incógnita do tribunal queria realmente prolongar a dificuldade do entendimento. E os argumentos mais pareciam, no ir e vir, com a distribuição aleatória das bolonas e bolinhas brancas de sua elegante echarpe preta. Ao final do voto, enfrentando as farpas de Marco Aurélio e Lewandowski, parecia satisfeita em ter somado com a maioria apertada que não concederia o HC.

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Rosa Weber era toda a expectativa de quem torcia pelo ex-presidente Lula. Foi voto vencido, afinal, na decisão de 6 a 5 que possibilitou a prisão em segunda instância. Tudo bem que passou a votar com a maioria, na turma, em nome da colegialidade, mas no plenário podia ser o caso, como ela mesma admitiu, de votar com a sua posição pessoal. Não foi assim.

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Pouco antes de votar, antecedendo Rosa Weber, o ministro Luis Roberto Barroso revelou que acabara de tirar da face uma marca de beijo. Dias Toffoli sugeriu que era de Rosa Weber, riram todos, e um radiante Barroso disse que se fosse assim não teria problema. Barroso votou por inacreditáveis 1 hora e 18 minutos. Como sua fala já vem com edição, e é de clareza cristalina, sabe se fazer entender e dar recados precisos a plateias diversas. Exerce a vaidade com desenvoltura, e não percebe, muitas vezes, que está ensinando padre nosso para vigários ou freiras experimentados. 

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