Suspensa liminar que impedia obras de Usina de Barra Grande

O presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, desembargador Vladimir Passos de Freitas, suspendeu no final da tarde desta sexta-feira a liminar que proibia a retirada de cobertura vegetal na área das obras da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A derrubada tinha sido interrompida por decisão do Ibama, que apontou erro no Estudo de Impacto Ambiental- Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Eia-rima) apresentado pela concessionária para licenciar a obra.O desembargador ressaltou que já foram estabelecidas obrigações de adequação para a Energética Barra Grande S.A (Baesa) no sentido da preservação ambiental, por meio da execução de medidas mitigadoras e compensatórias. Além disso, a construção da hidrelétrica "já implicou gastos públicos de monta e seu funcionamento se revela indispensável ao desenvolvimento da ordem econômica". A liminar atendia a uma solicitação da Rede de Organizações Não-Governamentais da Mata Atlântica e da Federação das Entidades Ecologistas de Santa Catarina, autoras da ação civil pública.BarreiraNo entanto, mesmo com a suspensão da liminar as obras ainda não puderam ser retomadas. Cerca de 700 integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) bloquearam nesta sexta o acesso à obra da hidrelétrica de Barra Grande. Com o bloqueio, mais de cem caminhões - a maioria de cimento - foram impedidos de ingressar no canteiro de obras.Os agricultores estão acampados no local desde 20 de outubro, em protesto contra a derrubada de de 6 mil hectares da floresta nativa. O bloqueio começou a se formar às 14h de quinta-feira, quando o MAB realizou uma assembléia geral no local, mas acabou efetivado apenas na madrugada de sexta. A rodovia estadual RS 456 foi fechada pelos acampados.Os agricultores reivindicam o assentamento de mais 650 famílias, além das 1,3 mil que já foram indenizadas pela Baesa, e melhoria da infra-estrutura para as agricultores que viverão à beira do lago gerado pelo empreendimento. Além disso, o Movimento quer preservar a mata nativa que será inundada sob a alegação de que o Eia-Rima que autorizou o empreendimento foi fraudado.A direção da Baesa informou, por meio da assessoria de imprensa, que solicitou apoio da força policial para desbloquear a entrada do empreendimento. Segundo Marco Antônio Trierveiler, um dos coordenadores do MAB, os agricultores permanecerão em vigília até que a Baesa aceite debater o caso com a presença de representantes dos ministérios das Minas e Energia e do Meio Ambiente.

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