Suspeitos foram alertados de operação, afirma PF

Suspeitos foram alertados de operação, afirma PF

Policiais federais foram recebidos por advogados em batidas que deveriam ser surpresa; fuga de dois suspeitos está relacionada a possível vazamento

Fabio Brandt, O Estado de S. Paulo

18 de novembro de 2014 | 17h03



Atualizado às 22h18

Brasília - Responsáveis pela Operação Lava Jato, que investigam um esquema de corrupção alimentado por algumas das maiores empreiteiras do País e por diretorias da Petrobrás, reuniram indícios de que os investigados souberam com antecedência sobre a execução de buscas e apreensões em suas casas e empresas.

O delegado de Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo, chefe da Lava Jato, anexou nessa terça ao processo decorrente da investigação um documento em que registra sua preocupação com vazamentos das informações que podem possibilitar a fuga dos investigados.

Na sexta-feira, quando a PF cumpriu mandados de busca e de prisão da sétima etapa da Lava Jato, dois alvos não foram encontrados: o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte.

Anselmo relatou ao juiz federal Sérgio Moro, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, que os policiais federais foram surpreendidos ao serem recepcionados, na madrugada de sexta-feira, por três advogados na sede da empreiteira OAS. Ele também anexou ao documento o auto circunstanciado escrito à mão pelos policiais que estiveram na OAS. "Ao chegar à recepção da portaria da entrada da empresa, a equipe policial já foi surpreendida pela presença de três advogados", informa o relato. Os policiais registraram que perguntaram ao trio o que faziam ali. "É de costume chegar cedo", foi a resposta que os policiais dizem ter recebido.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados citados: Donadeli Fortes de Albuquerque, Leandro Pachani e Luiz Gustavo de Oliveira Santos. Por meio do telefone associado ao registro na Ordem dos Advogados do Brasil, o Estado deixou recado com o pai de Oliveira Santos, mas não teve resposta.

A cópia do auto circunstanciado anexada ao processo permite saber ainda que o grupo policial se disse surpreendido também pela presença de um "repórter tirando fotos" que, ao final da busca, foi identificado por uma testemunha da cena como fotógrafo do jornal Folha de S.Paulo. "Indagado aos advogados se conheciam o mesmo , afirmaram que não", afirma o relato policial.

Outro indício de que houve vazamento do planejamento da sétima fase da Lava Jato, segundo o delegado Márcio Anselmo, é a viagem do presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, que reside em São Paulo, para a cidade de Salvador na noite de quinta-feira, véspera das buscas e apreensões. "Assim, os elementos indicam que teria ocorrido o vazamento das diligências a serem empreendidas nos locais de busca", afirma o delegado.

Partiu da própria defesa de um dos investigados um outro indício de que os alvos da operação têm condições de saber sobre as ações das autoridades com antecedência. Em pedido de habeas corpus apresentado à Justiça no mesmo dia em que seu cliente foi preso, a defesa de Gerson de Mello Almada, vice-presidente da empreiteira Engevix, anexou a cópia de uma mensagem de celular da véspera da prisão. "Gerson, há boatos de que amanhã haverá uma operação da Polícia Federal no caso Lava Jato. Abs". No texto que acompanha o anexo, os advogados Fábio Tofic, Débora Gonçalves Perez e Maria Jamile José tentam fazer esse fato contar a favor da liberdade de seu cliente. "Mesmo avisado pelos advogados acerca desde rumores, Gerson não titubeou e manteve-se inerte em sua residência".

 

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