Suspeitos de matar prefeito de Jandira devem ter sigilo quebrado

Polícia quer rastrear ligações das pessoas presas por suposto envolvimento no assassinato

Paulo Saldaña e Ricardo Valota,

11 Dezembro 2010 | 19h01

Depois de conseguir que a Justiça decretasse a prisão dos quatro suspeitos de assassinar o prefeito de Jandira, Walderi Braz Paschoalin (PSDB), a Polícia vai solicitar na segunda-feira, 13, a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos. A ideia é conseguir rastrear com quem os investigados trocaram telefonemas nos momentos próximos ao horário do crime e encontrar um possível mandante.

 

O prefeito foi morto na manhã de sexta-feira atingido por uma rajada de metralhadora na porta de uma rádio da cidade, onde gravaria seu programa semanal. Seu motorista, Wellington Martins, também foi baleado e permanece internado em estado grave.

 

A Polícia conseguiu, na madrugada de sábado, a prisão temporária dos suspeitos com um juiz de plantão na capital. Foram decretadas as prisões de Adilson Alves de Souza e Lázaro Teodoro Faustino, detidos logo após o crime, e de Cristiano dos Santos e Felipe dos Santos, localizados com material inflamável. A polícia acredita que eles queimariam o veículo do prefeito.

 

Os quatro foram transferidos para a cadeia de Carapicuíba. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que exames residuográficos mostraram a presença de pólvora na mão de todos os suspeitos.

 

O corpo de Paschoalin foi sepultado na tarde ontem no jazigo da família cemitério municipal da cidade, que atraiu centenas de pessoas. O filho Alexandre, de 28 anos, cobrou uma rápida apuração do caso. "Acho que tem como solucionar rápido porque todo mundo sabe o motivo", disse ele, referindo-se a possíveis motivações políticas para o crime - até agora a hipótese mais forte. O próprio governador de São Paulo, Alberto Goldman, que era companheiro de partido de Paschoalin, afirmou que não acredita que em crime comum.

 

Com a morte do prefeito, sua a vice, Anabel Sabatini (PSDB), assume a administração sob clima de medo e desconfiança. "Não me sinto segura e sei que há grupos que não querem que eu assuma", disse ela durante o enterro. Ela pediu reforço na segurança.

 

Além do medo de um atentado - a cidade tem histórico de crimes envolvendo personagens da vida pública -, a prefeita em exercício sabe que vai ter dificuldades políticas para assumir o posto. Sabatine havia rompido com o prefeito há cerca de oito meses depois que fez denúncias sobre superfaturamento na compra de medicamentos. A vice-prefeita também era secretária municipal de Saúde. Ela conta ter se recusado a assinar notas fiscais no valor de R$ 1,5 milhão de medicamentos que não estavam disponíveis para os postos de saúde.

 

"Vai ser muito difícil. Sei que 99,9% dos secretários e do alto escalão do município não me querem lá. Mas agora eu vou descobrir a verdade", afirmou ela.

Sabatine pedira afastamento do cargo e se distanciou da Prefeitura. Até anteontem, sequer frequentava o gabinete. A denúncia fez com que ela se aproximasse da bancada do PT na Câmara, oposição à administração - o que deve dar novas cores às disputas políticas na cidade.

 

O presidente da Câmara dos Vereadores, Wesley Teixeira (PSB), da base aliado ao governo municipal, nega as denúncias. Segundo ele, a situação será mesmo difícil. "Agora ela é a prefeita, vamos ver o que vai fazer."

 

Na noite de anteontem, o senador eleito pelo PSDB Aloysio Nunes Ferreira Filho, e um dos nomes fortes partido, não quis comentar sobre a sucessão no município. "Ainda é muito cedo pra falar disso", disse.

 

Braz Paschoalin, no seu terceiro mandato, já fora alvo de seis investigações, de acordo com o Ministério Público. Dessas, cinco foram arquivadas.

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