Suspeitos de matar Blake dizem que ele atirou com um rifle

A Polícia Civil de Macapá prendeu, na madrugada desta sexta-feira, sete suspeitos de integrar a quadrilha que assaltou a embarcação Seamaster e assassinou, na madrugada desta quinta-feira, o velejador Peter Blake, em Macapá.Foram presos Izael Pantoja da Costa, Juscelino Rocha Filho, Jânio dos Santos Gomes, Ricardo Colares Tavares, José Irandir Cardoso, Reni Ferreira Macedo e Antônio Gonçalves de Lima. Por volta das 18h30, Lima, Gomes e Rocha Filho foram liberados, depois de prestar depoimento.A polícia foi levada aos suspeitos depois de interrogar um homem que ela acredita foi baleado por Blake ou por um membro de sua tripulação durante a confusão. Ele tem um ferimento de bala na mão. Outro suspeito confessou ter atirado em Blake depois que o iatista abriu fogo com um rifle, disse a polícia.Passagem pela políciaCinco dos homens presos têm passagem pela polícia e foram condenados por assalto, estelionato, roubo ou tráfico de drogas, desfrutando agora de liberdade condicional - entre eles, Gomes e Rocha.Ricardo Colares, de 23 anos, é acusado de ter assassinado Peter Blake. Ele foi o único a falar com a imprensa e disse que realmente deu dois tiros de pistola no velejador. "Mas não sei se acertei", confessou. Ele disse também que não sabia que se tratava de uma pessoa tão conhecida. "Vimos o veleiro e resolvemos assaltá-lo."O taxista Antônio Gonçalves de Lima contou que fez a corrida sem saber que estava transportando assaltantes, apesar de ter recebido como pagamento R$ 40 e um rifle - exatamente o rifle de Blake. Alguém famoso?Os suspeitos alegam que atiraram em legítima defesa. Eles disseram que não sabiam que alguém tão famoso estava a bordo e que não esperavam resistência?, disse o policial federal José Araújo Filho.O taxista Antônio Gonçalves de Lima contou que fez a corrida sem saber que estava transportando assaltantes, apesar de ter recebido como pagamento R$ 40 e um rifle - exatamente o rifle de Blake. Segundo Araújo Filho, Gomes e Rocha foram presos porque estavam perto do taxista.Segundo Araújo Filho, Costa, Tavares, Cardoso e Ferreira, que devem permanecer detidos na PF até que a Justiça decida para onde serão encaminhados, confessaram o crime. "Eles confessaram que assaltaram, só não dizem qual deles matou Blake". O destino possível deles é a Penitenciária Agrícola do Amapá.Luto oficialA embaixadora da Nova Zelândia, Denise Almao, chorou ao falar aos jornalistas sobre o assassinato de Blake. "Foi um incidente trágico para o povo de Nova Zelândia. Ele era um homem muito importante, um herói nacional porque representa todas as melhores coisas da Nova Zelândia e do nosso povo", disse. "O país inteiro está chocado", acrescentou.A Nova Zelândia está de luto oficial. O corpo de Blake deve ser trasladado para seu país na segunda-feira. No Amapá, o governador Alberto Capiberibe também decretou luto oficial de três dias. Na noite desta sexta, o corpo seria levado da Polícia Técnica para a Funerária Santa Rita, no centro de Macapá.Até o início da noite desta sexta, a polícia ainda não tinha conseguido capturar o catraieiro Rubens da Silva Souza, que transportou os assaltantes da praia até o veleiro de Peter Blake. Mas já se sabe que foi ele quem passou as informações para os assaltantes.MulheresUma fonte da Polícia Civil informou que duas mulheres fazem parte da quadrilha e é provável que uma delas tenha ido para Belém. O governador Alberto Capiberibe, que retornou na madrugada desta sexta a Macapá, classificou a morte do velejador como uma "trágica fatalidade" e reconheceu que o episódio cria uma reação negativa ao Estado.Ele disse também que há precariedade no aparato de segurança nos rios da Amazônia, mas transferiu a responsabilidade para a Marinha e a Polícia Federal. Capiberibe levantou a possibilidade de o governo do Estado criar uma polícia fluvial para patrulhar os pontos de maior movimento do rio.A morte de Peter Blake em terras brasileiras não deve afetar a intenção dos dois países de desenvolver intercâmbio turístico, informou a primeira secretária da Embaixada da Nova Zelândia em Brasília, Annelise Windnill.Segundo ela, ainda não se pode avaliar se a imagem do Brasil na Nova Zelândia poderá ser arranhada pelo acontecimento. A embaixada, no entanto, informa que os tratados estabelecidos entre os dois países durante a recente visita da primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, ao Brasil, devem ser mantidos.Em Brasília, o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, defendeu, nesta sexta, a necessidade de aumentar o policiamento em todo o território nacional. Para ele, no entanto, a tarefa não será fácil porque o País tem "dimensões gigantescas?."Ainda existem regiões onde a presença do Estado é muito precária", explicou o ministro. A Polícia Federal em Brasília informou ontem que não existe conflito de competência entre a PF e a Capitania dos Portos.De acordo com a assessoria, a responsabilidade pela segurança de embarcações é de competência da PF. No entanto, segundo a assessoria, ela não tem pessoal e nem equipamentos para realizar esse tipo de fiscalização.

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