José Patricio/AE
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Suspeitos da morte de Eliza foram orientados a não ceder material genético, diz delegado

Bruno, Macarrão e Bola passarão o fina de semana na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem

Eduardo Kattah e Fabiana Marchezi, Agência Estado

09 Julho 2010 | 12h54

SÃO PAULO - O goleiro Bruno Souza, o amigo dele Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos -- conhecido como Bola, Paulista ou Neném -- chegaram por volta das 17h30 dessa sexta-feira, 9, à Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Eles já haviam passado a noite no local, mas foram pela manhã Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), em Belo Horizonte, onde deveriam ter prestado depoimento.

Os três irão passar o final de semana encarceirados na penitenciária de Contagem.

 

Mais cedo nesta sexta-feira, Bruno, Macarrão e  Bola foram orientados por seus advogados a não ceder o material genético para as investigações. A informação foi repassada nesta manhã em entrevista coletiva dada pelo delegado Edson Moreira, um dos responsáveis pelo caso.

 

Segundo anúncio feito pela Polícia Civil de Minas na quarta-feira, 7, os exames realizados pelo Instituto de Criminalística (IC) comprovaram que havia sangue em cinco locais da caminhonete do goleiro: na frente e abaixo da poltrona direita, na lateral direita do piso, no banco traseiro e na porta traseira direita. Três foram identificados no exame de DNA como compatíveis com o da jovem de 25 anos, desaparecida há cerca de um mês.

 

Amostras foram confrontadas com o material cedido por Luiz Carlos Samudio, pai de Eliza, e o colhido do bebê da jovem. Conforme o diretor do IC, Sérgio Ribeiro, e a chefe do Laboratório do DNA, Fabíola Soares Pereira, o exame em uma amostra revelou resultado indefinido. Outra mancha apresentou perfil de DNA masculino, o que para os investigadores poderá ajudar na identificação do suposto agressor de Eliza.  

 

Bruno, Macarrão e Bola são os principais suspeitos do desaparecimento de Eliza Samudio, que está desaparecida desde o início de junho e já é considerada morta pela polícia. Nesta sexta-feira, por volta das 11 horas, o trio chegou algemado e com o uniforme vermelho do sistema prisional mineiro ao Departamento de Investigações em Belo Horizonte, onde o delegado pretendia ouvi-los. Eles passaram a noite no presídio de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem.

 

Ainda durante a coletiva, Moreira afirmou que não há data definida para o depoimento de Bruno. "Devido ao tumulto de ontem, resolvemos não entrevistá-lo. Temos agora 30 dias, a contar da prisão".

 

Ele disse ainda que trabalha com duas motivações para o crime: a busca de Eliza pelo reconhecimento da paternidade do filho e a vingança pelo fato de Eliza ter denunciado Bruno e Macarrão por agressão e ameaça.

 

Moreira disse também que espera que Bruno coopere com a investigação, mas sugeriu que a polícia já tem provas suficientes para indiciá-lo. "Não sei se ele vai cooperar ou não. Mas também para a investigação, isso é irrelevante", disse o delegado.

 

Na entrevista, Moreira ainda apresentou o laptop utilizado por Eliza, cujas mensagens eletrônicas, imagens e outros conteúdos serão periciados pela Polícia Civil durante o inquérito.

 

No final da noite de quinta-feira, 8, os advogados de Bola, Roberto de Assis Nogueira e Bernardo Diogo Vasconcelos, abandonaram o caso alegando motivos pessoais e econômicos.

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