JF Diorio/Estadão
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Suspeito na Lava Jato, tesoureiro se explica a petistas e é aplaudido

João Vaccari, apontado como operador da sigla em escândalo, recebe apoio da direção do PT em reunião do diretório

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2014 | 16h54

Atualizado às 22h20

Fortaleza - O tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, citado em depoimentos da Operação Lava Jato como operador do partido junto ao esquema de desvios da Petrobrás, foi aplaudido duas vezes na reunião do diretório nacional do partido nesta sexta-feira, 28, em um hotel em Fortaleza, no Ceará.

Segundo relatos de participantes do encontro, que foi fechado aos jornalistas, Vaccari tomou a palavra logo no início para se defender. Ao longo de 5 minutos, tentou tranquilizar os dirigentes do partido, dizendo que “tudo o que foi arrecadado foi contabilizado” formalmente nas contas do PT.


Vaccari teve, mais uma vez, os sigilos telefônico, fiscal e bancário quebrados pela CPI mista da Petrobrás. Em 2010, a Justiça determinou a abertura de suas contas bancárias em uma investigação sobre irregularidades na cooperativa habitacional do Sindicato dos Bancários de São Paulo, da qual foi diretor.

Quanto ao sigilo telefônico, Vaccari disse que a CPI mista só vai encontrar “ligações típicas de um tesoureiro de partido”. “Eu sei o que fiz”, disse o dirigente, recebendo aplausos.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, também fez uma defesa contundente do tesoureiro. Falcão disse que não existe “nada concreto” contra ele. “Nosso papel é defendê-lo”, conclamou Falcão, arrancando mais aplausos da plateia.

O tesoureiro do PT foi apontado pelo doleiro Alberto Youssef como operador do PT no esquema de desvio de dinheiro da Petrobrás. Durante as investigações, a Polícia Federal encontrou uma planilha na qual a cunhada de Vaccari, Marice Correa de Lima, aparece como beneficiária de uma remessa de R$ 220 mil do doleiro. Vaccari já negou várias vezes ter participação no esquema.

No PT, a posição do tesoureiro do partido é vista com tranquilidade. O partido, no entanto, não descarta que “a PF arrume uma alegação arbitrária” para envolver ou até mesmo pedir a prisão do tesoureiro. 

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