Suspeito diz que patrimônio vem de 'investimentos bem-sucedidos'

Magistrado Élcio Fiori diz que é inocente e nunca teve nenhuma ligação com envolvidos na Operação Lava-Rápido

Fausto Macedo, O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2013 | 01h17

O juiz Élcio Fiori Henriques afirmou que seu patrimônio tem origem legal. "Todos os valores empregados nas compras de imóveis por mim e pelas empresas possuem origem lícita, oriundos dos investimentos bem-sucedidos realizados com o capital próprio e de terceiros investidores, como será demonstrado."

"Afirmo também que, no que se refere às supostas práticas de crimes contra a administração pública e lavagem de capitais, sou inocente de todas as acusações como será devidamente comprovado no Poder Judiciário", declarou Fiori, por e-mail, ao Estado.

Hoje suplente de juiz no Tribunal, Fiori informou que recebeu comunicação de seu advogado de que o processo se encontra em segredo de Justiça, "sendo proibida a divulgação de quaisquer informações nele constante, sob pena de responsabilização pessoal".

Fiori é categórico: "Nunca tive nenhuma ligação com as pessoas envolvidas na Operação Lava-Rápido, como inclusive concluído pelo relatório da Polícia Federal ao término da investigação". "Afirmo que eu, assim como a empresa JSK, nunca fomos, até a presente data, chamados a prestar depoimentos ou sequer a esclarecer dúvidas perante quaisquer órgãos investigativos", destaca Fiori.

Diz que considera "lamentável a postura da imprensa de condenar sem direito de defesa, jogando fatos que chamem atenção sem dar tempo hábil para os envolvidos apresentarem a devida explicação". Afirmou que vai esclarecer todas as dúvidas.

Na ação de sequestro da 9.ª Vara da Fazenda Pública, foi indeferido pedido da defesa para sigilo dos autos. "Não há razão para dar prosseguimento na demanda sob sigilo, uma vez que os fatos apontados ocorreram no exercício das funções públicas de juiz do Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo e, como agente público, deve prestar contas de sua atuação na função para a qual foi nomeado, uma vez que seus vencimentos são pagos pelos cofres públicos."

'Surpreso', Calabi põe Corregedoria para investigar caso

O secretário de Estado da Fazenda, Andrea Calabi, determinou abertura de procedimento na Corregedoria da Coordenação de Administração Tributária. A medida foi tomada na tarde de quinta-feira, com base em informações que Calabi recebeu sobre a investigação contra o juiz Élcio Fiori Henriques. "Vamos verificar se de fato há ilícito e ver como podemos contribuir com essa apuração do Ministério Público e com a Justiça", disse o secretário.

Calabi revelou ter ficado surpreso com os termos da acusação que pesa contra o juiz do Tribunal de Impostos e Taxas. "Surpreende porque temos procedimentos e sistemas de controles que consideramos bastante avançados. Internamente criamos processos de filtros e controle muito forte até para proteção dos integrantes das carreiras contra qualquer vício, como parece que é o caso. Lamento imensamente que essas questões aconteçam. Vamos apoiar a Justiça e o Ministério Público."

O secretário da Fazenda alerta que "agente público tem que dar conta de suas atividades". Ele não admite que pairem suspeitas sobre as ações da pasta, mas anotou que a investigação ainda está no começo. Em janeiro, depois que a Operação Lava-Rápido flagrou elo de servidoras com roubo de processos de autuações a empresas, a Fazenda agiu rapidamente e as demitiu.

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