Suspeito de ser o mandante dos assassinatos em Unaí vai depor na PF

O fazendeiro Norberto Mânica, de Unaí (MG), foi intimado pela PolíciaFederal a depôr na próxima segunda-feira, como principal suspeito de ser o mandante do assassinato de três fiscais e um motorista doMinistério do Trabalho em 28 de janeiro passado. Autuado por um dos fiscais, Nelson José da Silva, por desrespeito a normastrabalhistas contra os empregados, Mânica teria encomendado a morte do servidor por R$ 25 mil. Como havia outras pessoas noveículo, na hora da execução, o fazendeiro dobrou o valor e deu o aval para que todos fossem fuzilados.Hoje, a PF toma o depoimento do comerciante Hugo Pimenta, da mesma cidade, acusado de ser o intermediário da contrataçãodos três pistoleiros que realizaram os disparos. A chacina ocorreu numa estrada vicinal, quando os fiscais faziam inspeção sobreexistência de trabalho escravo na região, no noroeste mineiro. Até agora, são sete os acusados pelo crime. Após o depoimento,Mânica pode ser imediatamente preso.Pedido nesse sentido já foi feito à Justiça.Uma das evidências contra Mãnica é o relatório feito pelo próprio auditor assassinado, Nelson José da Silva. Em 12 de marçode 2003, ele apresentou relatório afirmando que Mânica o ameaçara com um tiro na testa. ?O mais exaltado dos irmãos, porém,era Norberto Mânica que, portando um instrumento pontiagudo (inicialmente julguei tratar-se de espeto para churrasco, mas oscolegas informaram ser instrumento para furar sacos e colher amostras de grãos), disse que se caso um trabalhador me dessenome errado, iria atrás desse trabalhador e o levaria à minha presença, dando um tiro nele e outro na minha testa?, diz o relatório.A polícia chegou aos matadores a partir da descoberta, na fossa da casa de um deles, do relógio de uma das vítimas. Oassassino levou o relógio dourado achando ser de ouro e o jogou fora ao perceber o engano.Foram rastreadas centenas de pistas, a partir de 180 telefonemas, numa das investigações mais complicadas dos últimostempos, agravada pela greve de mais de dois meses da PF.

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