Suspeito de matar vereador será processado à revelia

O foragido da Justiça André Picanto, um dos acusados de executar a tiros o vereador Evaldo José Nalin (PSDB), de Analândia, interior de São Paulo, será processado à revelia por homicídio duplamente qualificado. O edital com a denúncia do juiz de Itirapina, Mario Massanori Fujita, foi publicado na edição de hoje do Diário Oficial do Estado.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

03 de janeiro de 2011 | 15h12

Picanto, de 24 anos, foi apontado como um dos dois homens que invadiram a casa do parlamentar na noite de 9 de outubro do ano passado e disparam com revólveres de calibre 38 contra a cabeça e o peito da vítima. Nalin estava deitado no sofá da sala e não teve chance de se defender. Ele levou sete tiros e morreu na hora, na frente da esposa.

O juiz considerou que o crime foi praticado por motivo torpe. O vereador havia denunciado ao Ministério Público (MP) irregularidades da administração municipal. A denúncia aponta como mandante do assassinato Luiz Carlos Perin que, além de ser funcionário público, é irmão do ex-prefeito e chefe de gabinete José Roberto Perin e primo do prefeito Luiz Antonio Aparecido Garbuio (DEM).

"É dos autos que José Roberto Perin, conhecido como Beto Perin, exerceu três mandados como prefeito de Analândia. Além destes, outros familiares próximos de Luiz Carlos Perin também ocupam cargos no Poder Executivo municipal. Destarte, para Luiz Carlos Perin, Evaldo José Nalin e sua atividade fiscalizadora eram um incômodo ao continuísmo do poder naquela cidade, motivo esse de retaliação às atividades do vereador, que constantemente contrariava os seus interesses e os de sua família", relata o juiz.

Conforme a denúncia, Perin contratou André Picanto e outro homem ainda não identificado para matar Nalin. O mandante do crime está preso preventivamente. A polícia distribuiu fotos de Picanto, mas até hoje ele não tinha sido preso.

Medo

Desde o crime, a cidade vive um clima de medo. Testemunhas sofreram ameaças e tentativas de suborno. Na quinta-feira, o presidente da organização não-governamental (ONG) Amigos Unidos por Analândia (Amasa), Vanderlei Vivaldini Júnior, denunciou ter sido agredido a socos por Ronaldo Tangerino, primo do ex-prefeito Beto Perin. Ele fez exame de corpo delito.

Tangerino negou a agressão. O ex-prefeito também nega qualquer participação na morte do vereador e se diz vítima de perseguição política.

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