Suspeito de envolvimento em esquema da Odebrecht, ex-ministro colombiano é preso

Gabriel García foi vice-ministro no governo de Álvaro Uribe e teria exigido US$ 6,5 milhões para permitir que a Odebrecht fosse a única participante na licitação de um projeto rodoviário

O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2017 | 14h07

BOGOTÁ - Autoridades colombianas detiveram um ex-vice-ministro dos Transportes, Gabriel García, alegando que ele recebeu subornos da construtora brasileira Odebrecht. Foi a primeira prisão desde que o escândalo de corrupção da empreiteira na Colômbia foi divulgado, no mês passado.

García foi vice-ministro durante o governo do ex-presidente Álvaro Uribe e teria exigido US$ 6,5 milhões para cortar a concorrência e permitir que a Odebrecht fosse a única participante no processo de licitação de um projeto rodoviário autorizado entre 2009 e 2010. As informações foram divulgadas pelo procurador-geral da Colômbia, Néstor Martínez, citando provas obtidas por promotores.

A prisão de García é a primeira a ocorrer na Colômbia desde que a Odebrecht admitiu, em dezembro, pagar US$ 439 milhões em subornos em países fora do Brasil, principalmente na América Latina, segundo Martínez. Cerca de US$ 11 milhões foram alegadamente pagos em território colombiano. Caso condenado, García pode ficar até 20 anos preso.

O advogado do ex-vice-ministro não foi encontrado. Em comunicado, o ex-presidente Álvaro Uribe afirmou que apoia as investigações e a decisão do procurador-geral. "Não é certo que pessoas como Gabriel García recebam subornos", disse Uribe, acrescentando que seu governo foi enganado por Garcia.

O pagamento ao ex-vice-ministro teria sido feito por meio de contas offshore geridas pelo chamado Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, uma divisão com sede no Brasil que a empresa utilizava para pagar subornos e propinas, disse Martínez.

Investigadores colombianos afirmaram que estão trabalhando para identificar os supostos beneficiários dos subornos restantes da Odebrecht. Segundo o procurador-geral, pessoas ligadas ao atual governo de Juan Manuel Santos podem estar ligadas ao esquema - o que foi negado pelo atual governo colombiano.

Além do contrato de construção de uma rodovia, a Odebrecht venceu um projeto para expandir o Rio Magdalena na Colômbia, embora o escritório do procurador-geral tenha dito, recentemente, que uma investigação sobre o acordo não encontrou evidências de subornos.

Martínez também afirmou que a empresa concordou em pagar quase US$ 11 milhões como "reparação pelos danos causados à administração pública da Colômbia". 

Notícias relacionadas
    Tudo o que sabemos sobre:
    Odebrecht

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.