Suspeito de encomendar dados de filha de Serra nega relação com vazamento

Acusado de encomendar informações sobre Verônica, Ademir Cabral presta depoimento

Estadão.com.br,

09 de setembro de 2010 | 12h59

O contador Ademir Estevam Cabral, suspeito de envolvimento na quebra de sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, presta nesta quinta-feira, 9, depoimento na delegacia seccional de Santo André, na Grande São Paulo. Segundo versão do falso procurador de Verônica, Antônio Carlos Atella Ferreira, Ademir seria o responsável por ter encomendado o pedido de acesso às declarações de renda da filha do tucano.

 

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Ademir confirma que realiza trabalhos na Receita Federal e na Junta Comercial, mas negou que tenha feito qualquer pedido em relação aos dados fiscais de Verônica. Atella, que também tinha um depoimento marcado para esta quinta-feira, será ouvido apenas na sexta.

 

Os dois contadores são peças-chave na apuração da quebra de sigilo de Verônica. Atella utilizou uma procuração falsa para acessar os dados da filha de Serra em 30 de setembro de 2009. Descoberto, o contador acusou o colega Ademir de ter encomendado a papelada, que comporia um lote com dados de outras 18 pessoas. Na versão do falso procurador, Ademir trabalharia como intermediário de pessoas de Brasília, Minas Gerais e interior de São Paulo.

 

Segundo informações da Justiça Eleitoral, Atella teria se filiado ao PT em 2003. A relação com o partido da candidata do PT, Dilma Rousseff, elevou as suspeitas de que a violação do sigilo de Verônica seria parte de uma trama política para prejudicar o candidato tucano. Além da filha de Serra, outros políticos tucanos tiveram suas declarações de renda acessadas indevidamente em Mauá, Santo André e em Formiga (MG). O governo defende a tese de que os vazamentos seriam parte de um esquema de compra e venda de informações fiscais sem fins eleitorais.

 

A violação está sendo investigada pela Polícia Federal e pela corregedoria da Receita. A Polícia Civil de São Paulo também entrou no caso depois de vir à tona que Verônica Serra teve uma procuração falsificada no Estado. Agora, a Delegacia Seccional de Santo André quer que a Justiça quebre o sigilo telefônico dos dois contadores. O pedido se refere ao histórico de chamadas recebidas e efetuadas a partir de telefones fixos e celulares de ambos, relativo ao período de setembro a dezembro de 2009.

 

Genro. Nesta quarta-feira, 9, veio à público que o genro de Serra, o empresário Alexandre Bourgeois, também teve dados fiscais violados na agência da Receita Federal em Mauá (SP). O governo sabe do caso desde 24 de agosto, mas só nesta semana o incluiu no processo administrativo que apura a quebra ilegal de sigilo fiscal de tucanos. O acesso aos dados de Bourgeois foi revelado com exclusividade pelo estadão.com.br.

 

A agência de Mauá foi palco da quebra de sigilo fiscal de quatro tucanos e de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB. A invasão aos dados de Bourgeois ocorreu no dia 16 de outubro de 2009 e atingiu as informações cadastrais do empresário, casado com Verônica. Todos os acessos partiram do computador da servidora Adeildda Ferreira dos Santos, que trabalhava em Mauá. Na semana passada, o Estado revelou a estratégia do comando da Receita para abafar a violação do sigilo fiscal de Verônica, ocorrida dia 30 de setembro de 2009 numa agência Santo André. Por 20 horas, a Receita sustentou a versão de que ela pedira seus dados, mesmo sabendo que a violação ocorrera com uma procuração falsa.

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