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Suspeitas reavivam ‘guerra fria’ de CPIs entre PT e PSDB

Mesmo sabendo que chance de instauração é baixa, pelo menos neste momento, partidos falam em criar comissões parlamentares de inquérito no Congresso

João Domingos, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2013 | 22h41

BRASÍLIA - A eclosão de suspeitas envolvendo o governo federal petista, no caso da Petrobrás, e o governo paulista tucano, no caso do Metrô, desengavetou a antiga guerra fria das CPIs travada por governistas e oposicionistas no Congresso. Um ameaça o outro com comissões de inquérito, mas ambos sabem que a chance real de elas serem instaladas, pelo menos neste momento, é mínima.

Petistas prometem começar nesta terça-feira, 13, a coleta assinaturas para uma CPI mista, com Câmara e Senado, destinada a investigar a formação de cartel dos governos tucanos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.

"É a forma que temos de instalar imediatamente a CPI, sem esperar por vagas na Câmara", disse o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), lembrando da longa fila de comissões de inquérito que aguardam a sua vez na Casa.

Já os oposicionistas querem investigar as acusações do lobista João Augusto Rezende Henriques feitas à revista Época. Ele afirmou que o setor internacional da estatal de petróleo montou um esquema a fim desviar dinheiro para campanhas eleitorais, incluindo a da presidente Dilma Rousseff em 2010.

Nos dois casos, as chances de o discurso virar prática é baixa porque, no caso do PT, não há apoio dos partidos da base, e no caso do PSDB, apesar do apoio de alguns governistas, o número de parceiros é insuficiente, além de haver barreiras regimentais.

Resta, assim, o discurso de plenário. "Se essas denúncias (da Época) forem confirmadas, o mensalão está mais presente do que nunca na administração federal, como consequência deste sistema promíscuo instalado em Brasília há 12 anos, com o objetivo de cooptar forças políticas, especialmente partidos, para consolidar uma ampla base de apoio ao Governo do PT", disse senador tucano Álvaro Dias (PR) ontem na tribuna.

A oposição fala em aproveitar uma CPI já protocolada que tinha como alvo a compra de uma refinaria nos EUA em 2006. O autor do pedido de investigação foi o deputado Leonardo Quintão (MG), do PMDB do vice-presidente Michel Temer.

O pedido está parado pois ocupa a 23.ª posição na fila das CPIs da Câmara. Só cinco podem funcionar simultaneamente e as vagas já estão ocupadas.

O deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL) anunciou que os defensores da CPI da Petrobrás vão aumentar a pressão. Ele disse que poderá recorrer ao Supremo para que o Legislativo seja obrigado a fazer a investigação. Lessa é coautor do requerimento de criação da CPI.

O presidente do PPS, Roberto Freire (PE), disse que vai pedir à Procuradoria-Geral da República que investigue as denúncias feitas pelo engenheiro João Augusto Henriques. "Se o Ministério Público não o fizer de ofício, o PPS vai ingressar com uma representação na Procuradoria-Geral pedindo a abertura de inquérito."

Em São Paulo, onde PSDB é governo e PT, oposição, as chances de instauração de CPI na Assembleia Legislativa são ainda menores. 

COLABOROU DÉBORA ÁLVARES

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