Suspeita sobre chefe do MP do DF reabre guerra por e-mails

Procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, é suspeito de ligação com o esquema do 'mensalão do DEM'

Leandro Colon - O Estado de S.Paulo

13 Maio 2010 | 13h48

BRASÍLIA - A suspeita que paira sobre o procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra - suspeito de ligação com o esquema do "mensalão do DEM" -, reacendeu na noite da última quarta-feira, 12, a guerra por e-mail, numa rede interna, entre os promotores de Brasília. O Ministério Público do DF vive uma crise interna sem precedentes na instituição que, deve, entre outras funções, apurar irregularidades cometidas com o dinheiro público. Promotores cobraram o afastamento imediato de Bandarra, o chefe do MP do DF.

 

No fim da noite, às 22h35, eles foram surpreendidos por uma longa mensagem da promotora Deborah Guerner, investigada por envolvimento no esquema de corrupção em Brasília. Ela seria, segundo Durval Barbosa (delator do esquema), a intermediária das negociações de propina entre Bandarra e o governo de José Roberto Arruda nos últimos anos. "Quem cala, não consente. Apenas espera o momento e o lugar adequado para defender-se", disse Deborah, marido de Jorge Guerner, um empresário que, segundo as investigações, teria ligação com empresas de lixo.

 

Segundo Durval Barbosa, Bandarra recebia uma mesada de R$ 150 mil por parte de Arruda. Em troca de dinheiro, o MP do DF não criaria problemas para a gestão do ex-governador, que foi cassado e chegou a ficar dois meses preso. Novos depoimentos e análise de sigilos telefônicos, divulgados nesta semana, reforçam essas suspeitas, conforme conteúdo de sindicância da Corregedoria do MP do DF que comprometeu Bandarra e Deborah. Na terça-feira, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu investigação contra o procurador-geral de Justiça e avalia pedir seu afastamento nos próximos dias.

 

O Estado teve acesso aos e-mails trocados até a manhã desta quinta-feira entre os promotores. Deborah Guerner quebrou um silêncio de meses para se defender e justificar sua estrutura financeira: "Nasci de uma família abastada. Por isso uso essas coisas que tanto a imprensa já falou através de blogs, etc: joias, carros bons. Não tenho culpa por isso. Não me discriminem por minha conta bancária ou meu status social e estilo de vida. Sou apenas uma órfã , de pai e mãe , que não tem nenhum irmão e que portanto, recebeu duas heranças". E ela continuou: "Preocupo-me apenas com a minha vida e a de mais ninguém. Por isso não vazo nada . Não entendo porque tudo que peço administrativamente ou falo internamente , sai nos dias seguintes nos jornais e outros meios de comunicação. Não existe uma pessoa neste mundo de quem eu não goste. Eu , da minha parte, não tenho um inimigo pois eu não faço nada de mal contra ninguém". "Quem cala, não consente. Apenas espera o momento e o lugar adequado para defender-se", disse.

 

Deborah Guerner enviou o e-mail numa resposta a uma mensagem do promotor Jairo Bisol, que cobrou explicações de Bandarra ou seu afastamento do cargo. "Explique, ou então se retire", disse Bisol. "Bandarra, você deve explicações à classe", ressaltou. "Bandarra, não preciso dizer que as cobranças fazem parte desta rede. Fazem parte de nossa instituição, como um todo. Devemos ser cobrados pelas coisas que fazemos e que afetam a instituição", afirmou Bisol.

 

Numa estratégia para constranger Deborah Guerner, Bisol ainda insinuou que o procurador-geral de Justiça a abandonou para salvar a própria pele. Outro promotor, Guilherme Fernandes Neto, reforçou essa provocação: "No mais, concordo com o Jairo ser lamentável você ter sido abandonada ou, utilizando suas palavras, deixada "na banguela" pelo procurador-geral. Mas, como você sabe, a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco".

 

O promotor Guilherme referiu-se a uma mensagem de Deborah Guerner, em dezembro do ano passado, em que ela cobrava Bandarra publicamente por supostamente tê-la deixado na "banguela". Até agora, Bandarra não se manifestou na rede interna. Ontem, ele disse ao Estado que recebeu no fim da noite o relatório de sindicância que o compromete e que, por enquanto, não poderia comentar o seu conteúdo.

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