Suspeita de Jobim irrita general

Em resposta às acusações do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) possui equipamento de fazer rastreamento de telefones e ambientes, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, pediu ao Exército que cedesse três técnicos para analisar a máquina.Félix tenta provar que o equipamento só faz varredura, ou seja, vasculha se tem alguém monitorado os telefones, mas não faz grampos. A polêmica foi travada entre Jobim e Félix durante a reunião de coordenação política do governo, na segunda-feira.Muito mais incisivo que Félix, de posse de um documento sobre a compra do equipamento, Jobim irritou profundamente o general ao lançar suspeitas contra a agência, sob seu comando. Félix insistiu, explicando que o equipamento não grampeava, só apontava a existência de interceptação. A veemência de Jobim, no entanto, influenciou os presentes, que não se convenceram com as justificativas do general de que a Abin só possui equipamentos de contramedida eletrônicas, para varreduras e verificar se o órgão é alvo de escutas. Esse assunto tornou-se dominante ontem nas conversas entre os integrantes do GSI e da Abin, que faziam questão de citar que Jobim teria agido "de má-fé" ao fazer tais ilações e nem sequer citar o fato de que o Exército possui o mesmo equipamento, adquirido antes da agência.

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