Suspeita de fraude em 3 mil benefícios do INSS no RJ

O cruzamento de informações entre os vários bancos de dados do governo já começou a dar os primeiros resultados. Há mais de um ano, a força-tarefa de combate às fraudes na Previdência Social descobriu, no Rio de Janeiro, números seqüenciais de CPF nos benefícios fraudados pela quadrilha de Wadyson Camel.Dos 273 benefícios adulterados, 167 estavam com o documento falsificado. Segundo os técnicos da auditoria do INSS, todos esses benefícios já foram cancelados, e Wadyson foi condenado, em setembro do ano passado, a quase nove anos de prisão, além do pagamento de multa estipulada em 1.250 salários mínimos.Segundo o ministro da Previdência Social, José Cechin, a descoberta da quadrilha e do modo como ela operava só foi possível com o avanço tecnológico de que hoje dispõe a Previdência Social.O ministro informou que as investigações, no Rio de Janeiro, estão voltadas para a análise de três mil benefícios com suspeita de fraude por utilização de CPFs adulterados.?Ainda não sabemos quantos deles foram fraudados, nem há quanto tempo?, admitiu Cechin. Ele explicou que a varredura em todos esses processos leva tempo e que toda vez que a Previdência comprova que o benefício é efetivamente fraudado, seu pagamento é cancelado, com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indo atrás do ressarcimento do que foi pago indevidamente.Até o momento, de acordo com dados do INSS, o trabalho da força-tarefa no Rio de Janeiro já propiciou uma economia de R$ 81 milhões. Além de Wadyson Camel, outros sete membros da quadrilha foram condenados pela Justiça, com penas que variam entre seis e nove anos de prisão.Se todas as penas da quadrilha forem somadas, o número de anos de reclusão chega a 65. Os fraudadores da Previdência Social não estão sujeitos apenas à prisão. O INSS vai também atrás dos bens adquiridos com a fraude.Os bens encontrados em nome de Camel, por exemplo, 15 automóveis de luxo, já foram penhorados à Previdência Social. O próximo passo será a venda desses bens em leilões autorizados pela Justiça.O ministro da Previdência Social, José Cechin, não concorda com a comparação entre a quadrilha de Camel e a da advogada Jorgina de Freitas. ?Não há condições de termos outra fraude do tamanho da praticada por Jorgina?, argumentou Cechin.O ministro explicou que os tempos são outros e que durante esse período também mudou o controle e a fiscalização da Previdência Social. A ação da quadrilha de Jorgina, que resultou numa fraude avaliada em R$ 300 milhões contra a Previdência Social, foi realizada entre os anos de 1988 e 1991 em duas comarcas da baixada fluminense.Contando com o auxílio de procuradores do próprio INSS, advogados, juízes e contadores judiciais, a quadrilha atuou nas Varas de Acidentes do Trabalho, calculando e pagando indenizações milionárias indevidamente.Da atuação do INSS no caso resultou a prisão de 45 pessoas, entre elas a própria Jorgina que, depois de passar algum tempo foragida, acabou se entregando à Justiça na Costa Rica sendo, em seguida, repatriada para o Brasil.Do dinheiro roubado, a Previdência Social já conseguiu recuperar praticamente 1/3, sendo R$ 65 milhões em espécie, 522 quilos de ouro e 241 imóveis que estão sendo leiloados.

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