Surto de tracoma atinge índios no Alto Rio Negro

Um novo surto de tracoma, uma doença que afeta a pálpebra e pode provocar a cegueira, já atinge 80% de uma população de 1.500 indígenas da tribo Hupede, no Rio Negro, no Amazonas. A denúncia é da enfermeira Marina Machado, encarregada dos projetos de saúde da organização não-governamental Saúde Sem Limites (SSL). A doença, endêmica na região, já levou à cegueira cerca de 1% da população Hupede e atinge outros 47% das demais 22 etnias, que somam 28.500 índios das tribos Tucano, Baniwa e Tuiuca, entre outras. Causado pela bactéria Clamydia tracomatis, o tracoma é geralmente associado a situações de pobreza extrema e ausência de higiene básica. Transmitida pelo contato, a doença caracteriza-se pela repetida incidência de conjuntivite desde a infância, que se deposita na base do olho, provocando a reversão dos cílios. Estes raspam a córnea, causando lesão e podendo causar um estágio avançado a cegueira. Existem dois tipos de tratamento à base de antibióticos conhecidos para o tracoma. O primeiro, aprovado para a profilaxia e tratamento pelo Ministério da Saúde, consiste na aplicação quatro vezes ao dia, durante seis semanas, de uma pomada de Tetraciclina. "Mas não é muito fácil aplicar. Estamos lidando com índios que falam pouco ou nenhum português, o que torna difícil explicar o por quê do tratamento, ainda mais durante seis semanas", disse Marina a enfermeira. O segundo método consiste num comprimido de azitromicina, ministrado em dose única, seguido de acompanhamento seis semanas depois, mais recomendável para lugares rurais e de meio ambiente hostil, pela maior facilidade na sua logística de distribuição. Ocorre que apesar de liberado para o uso clínico, a azitromicina não consta na lista oficial de medicamentos disponíveis para o tratamento do tracoma pelo Ministério da Saúde.

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