Clauber Cleber Caetano/PR
Clauber Cleber Caetano/PR

Surpreendidos pela volta de Lula, bolsonaristas buscam estratégia; leia análise de Marcelo de Moraes

Até então, o grupo se preocupava em neutralizar os possíveis candidatos de centro, como os governadores João Doria e Eduardo Leite, além de monitorar atentamente nomes como os de Luciano Huck e Sérgio Moro

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 14h13

Dois dias depois da anulação das condenações de Luiz Inácio Lula da Silva, por decisão do ministro Edson Fachin, os bolsonaristas ainda buscam uma estratégia para responder à provável entrada do petista na disputa de 2022. Até então, o grupo se preocupava em neutralizar os possíveis candidatos de centro, como os governadores João Doria e Eduardo Leite, além de monitorar atentamente nomes como os de Luciano Huck e Sérgio Moro. A volta de Lula não estava no script dos bolsonaristas e preocupa pela sua possível densidade eleitoral

Com o desgaste causado na imagem de Jair Bolsonaro por causa da pandemia do coronavírus e pelo fim do pagamento do auxílio emergencial, os bolsonaristas agiam para conter um possível crescimento de adversários com capacidade de tirar votos do seu campo, como é o caso dos nomes de centro. Especialmente Doria, já que sua defesa da vacina, desde o início da pandemia, lhe garantiu um forte discurso. Mas o grupo aliado de Bolsonaro não tinha grandes preocupações com a esquerda. Até porque existia, até então, a crença entre os apoiadores de Bolsonaro que enfrentar novamente Fernando Haddad, num eventual segundo turno, era um cenário vantajoso para o presidente buscar sua reeleição.

Nas últimas 48 horas, se multiplicaram as discussões entre os principais aliados do presidente para medir o risco que Lula pode representar e como deve ser a estratégia. Não há um consenso até agora. As redes bolsonaristas foram liberadas para as críticas costumeiras, associando o ex-presidente e o PT à corrupção e para apresentar o discurso de que a vitória é garantida contra o petista. Mas, no mundo real, a montagem da nova tática política ainda está sendo planejada.

Nessas primeiras avaliações, Lula é visto com potencial para reconquistar de cara o apoio do eleitor mais vulnerável pelo fim do pagamento do auxílio emergencial. Se a pandemia seguir mantendo os números elevados, a tendência é que a avaliação de Bolsonaro siga derretendo nas pesquisas, ampliando o campo para o crescimento de Lula e até dos candidatos de Centro.

As alas mais radicais do bolsonarismo também aproveitaram para ampliar seus discursos contra o Supremo Tribunal Federal, associando o tribunal à esquerda pela absolvição de Lula. Também reforçaram a defesa do voto impresso. Nesse caso, os radicais encaixaram o já costumeiro discurso de um imaginário risco de fraude  eleitoral, lembrando o que foi feito pelo ex-presidente americano Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos. Derrotado por Joe Biden, Trump - sem qualquer prova - insistiu na tese de que as eleições tinham sido fraudadas até sua saída da Casa Branca. Esse discurso acabou servindo para insuflar os ânimos de seus apoiadores e um grupo deles acabou promovendo uma absurda invasão ao Capitólio.

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