Suriname fala holandês e pratica hinduísmo na América do Sul

País vizinho sofreu grande fluxo de imigrantes indianos; politicamente, história recente é conturbada

estadao.com.br,

28 Dezembro 2009 | 19h11

Um país sul-americano, que fala holandês e cuja religião majoritária (27,4%) é o hinduísmo. Esse é o Suriname, país vizinho que ganhou o noticiário nos últimos dias, por conta de um suposto ataque contra um grupo de brasileiros que vivia na cidade de Albina, na fronteira com a Guiana Francesa.

 

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Ex-colônia holandesa, o Suriname passou por períodos de dominação inglesa até 1815, quando a Holanda consolidou seu controle sobre o território. Essa alternância de ingleses e holandeses na colonização foi responsável pela imigração de cerca de 35 mil indianos, entre 1873 e 1917, que hoje tem influência marcante na sociedade do Suriname.

 

Para se ter uma ideia, 27,4% dos surinameses professam o hinduísmo, contra 25,2% de protestantes, 22% de católicos, 19,6% de muçulmanos e 5% de crenças indígenas. A composição étnica também chama a atenção: além dos indianos, imigrantes indonésios, da ilha de Java, também representam parcela significativa da população - o que explica o alto porcentual de surinameses muçulmanos. Negros e crioulos (miscigenação de negros e brancos) também formam uma parcela importante da sociedade do país. Apenas 2% da população é branca.

 

Politicamente, a história recente do Suriname é conturbada. Colônia holandesa até 1975, o país sofreu um golpe militar em 1980, a poucas semanas das eleições presidenciais, sendo declarado uma república socialista. Não faltaram acusações de que o golpe interessava ao regime de Fidel Castro em Cuba, e que poderia trazer o conflito entre Estados Unidos e União Soviética para a área de influência do Brasil.

 

 

Embora o cargo de presidente do país tenha sido mantido, quem se tornou governante de facto após o golpe foi o líder militar Desiré Delano Bouterse, conhecido como Dési Bouterse. Após sua deposição, no início dos anos 1990, o ditador foi acusado de envolvimento no tráfico internacional de drogas e armas, num esquema que teria a participação da guerrilha colombiana e quadrilhas brasileiras. Bouterse foi condenado na Holanda, país que era a porta de entrada da droga na Europa, e tem mandado de prisão expedido pela Interpol - mas vive em liberdade no Suriname.

 

Bouterse também é acusado de comandar o fuzilamento de 15 líderes civis, opositores da ditadura, em dezembro de 1982, no episódio que ficou conhecido como "Assassinatos de Dezembro". Ele nega participação no episódio, mas assume a responsabilidade política pelo fato.

 

Apesar das críticas ao "socialismo" de Bouterse, o regime surinamês obteve apoio do regime militar brasileiro, que forneceu apoio logístico na luta contra guerrilhas nacionalistas que ameaçavam o domínio dos militares no país vizinho. Nesse contexto, em 1986, a mesma Albina em que brasileiros foram vítimas de violência no último dia 25, teria sido palco de um ataque contra um helicóptero civil brasileiro, perpetrado por guerrilheiros contrários ao regime de Bouterse. O aparelho estaria transportando militares brasileiros, que faziam o reconhecimento de um braço do rio Litani.

 

 

Brasileiros no Suriname

 

A presença de brasileiros no Suriname, atualmente atraídos pelo garimpo do ouro, já foi estimulada também pelo contrabando, no período colonial. Reportagem do Estado de 1971 esmiuçava como era feito o embarque de mercadorias do Mercado Comum Europeu no porto de Paramaribo, na então Guiana Holandesa: "Para Paramaribo quase sempre os barcos (brasileiros) levam café, que não precisa de documentação no porto livre. A volta é feita com produtos do Mercado Comum: televisões, bebidas, cigarros, roupas e relógios."

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