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Surfando a marolinha

Temer vende otimismo para colher popularidade

Vera Magalhães, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2017 | 05h03

Assim como bateu bumbo na semana passada com a queda de 0,75 ponto na Selic e o resultado da inflação de 2016, que ficou dentro da meta do Banco Central, Michel Temer continuará investindo em agendas positivas na economia. Não que haja no horizonte uma melhora próxima dos indicadores, como se sabe. A intenção do governo é criar um clima de otimismo a partir de pequenos avanços.

Na quarta, o presidente lança uma série de medidas de desburocratização, para facilitar abertura e fechamento de pequenas e microempresas. No dia seguinte anunciará uma linha de crédito recorde do Banco do Brasil para a pré-safra: R$ 12 bilhões. No ano passado, Dilma Rousseff destinou R$ 10 bilhões para esse fim.

Temer quer viajar mais pelo País, em agendas ligadas ao setor produtivo. Acredita que a receita para melhorar sua avaliação é vender que o governo está no caminho para a retomada do crescimento, graças a medidas como a liberação do saldo das contas inativas do FGTS. Um efeito já é sentido no Planalto: com a marolinha de boas notícias, o peemedebista recobra aos poucos a confiança do empresariado e do setor financeiro.

SÃO PAULO 1

Doria vai indexar contratos pela meta de inflação futura

No decreto que vai fixar as balizas para a execução orçamentária, que será publicado nesta semana, a Prefeitura de São Paulo vai estabelecer a meta futura de inflação do Banco Central para indexar todos os contratos, e não mais o índice verificado no ano anterior. Todos os contratos vigentes terão uma redução média de 15%. O corte de 30% nos alugueis, anunciado ontem pelo prefeito João Doria, também será estabelecido nesse decreto.

SÃO PAULO 2

Orçamento de Haddad tem buracos em várias rubricas

Não foi só no subsídio das empresas de ônibus que a equipe de Doria encontrou despesas estimadas para 2017 menores que o valor gasto em 2016. Esse rombo se repete em rubricas de várias pastas. Ainda assim, a orientação do prefeito é não fazer um discurso que caracterize uma “herança maldita” do antecessor, com quem tem boa relação. Seu foco de críticas continuará sendo o ex-presidente Lula, numa dobradinha com Geraldo Alckmin com foco em 2018.

CÂMARA 1

Jantar com auxiliares de Temer sela apoio a Maia

Um jantar que reuniu na semana passada Rodrigo Maia, Renan Calheiros, o presidente do PSDB, Aécio Neves, e dois auxiliares de Michel Temer selou a estratégia para garantir a reeleição do presidente da Câmara. Moreira Franco, um dos braços direitos do presidente, e o ministro Gilberto Kassab (Comunicações) estiveram no encontro. O PSD de Kassab deve anunciar nesta semana oficialmente o apoio a Maia e a retirada da candidatura de Rogério Rosso.

CÂMARA 2

Ministros dizem que STF não deve se meter em disputa

Apesar do discurso público de neutralidade na disputa pelo comando da Câmara, o governo Temer também tem feito consultas reservadas a ministros do Supremo Tribunal Federal sobre as chances de a eventual reeleição de Rodrigo Maia ser anulada na Corte. Pelo menos três magistrados disseram a emissários do Planalto que são muito remotas as chances de o STF interferir num assunto interno de outro Poder — ainda mais depois do fato consumado. 

SENADO

Divisão de cargos garante apoio à eleição de Eunício

Os partidos da base aliada dividiram os espaços na Mesa e nas comissões do Senado para assegurar que Eunício Oliveira seja eleito sem surpresas para o lugar de Renan Calheiros. O PSDB vai indicar Cássio Cunha Lima para a primeira-vice-presidência e Tasso Jereissati para a Comissão de Assuntos Econômicos. Renan ficará com a liderança do PMDB, mas não deve acumulá-la com a Comissão de Constituição e Justiça.

ACRÔNIMO

Supremo deve derrubar decisão que beneficiaria Pimentel

Logo na volta do recesso do Judiciário o ministro Teori Zavascki deve liberar para julgamento o recurso contra decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de que a Assembleia de Minas tem de autorizar a abertura de processo contra o governador Fernando Pimentel. Três ministros do Supremo já se manifestaram contra a necessidade de aval prévio, e a decisão pode ser até unânime, segundo integrantes da Corte.

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