Supremo vai julgar todos ''''40 do mensalão''''

Relator qualificou Dirceu de ?chefe incontestável? do esquema

Leonencio Nossa e Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2029 | 00h00

Ninguém foi poupado. Todos os 40 denunciados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no escândalo do mensalão começam a responder agora por crimes como formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, peculato e gestão fraudulenta. A lista dos réus definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) inclui os petistas José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Sílvio Pereira, acusados de formar uma quadrilha que distribuiu pelo menos R$ 55 milhões entre aliados em troca de apoio ao governo. À exceção de Sílvio, o "núcleo político" também responderá pela suposta prática de corrupção ativa. Veja especial sobre o julgamento Depois de um julgamento de 35 horas, em cinco dias de sessões, o Supremo ainda abriu processo contra os núcleos financeiro e publicitário" da "organização criminosa", integrados pelo empresário Marcos Valério, três sócios dele e quatro dirigentes do Banco Rural. Todos respondem por formação de quadrilha. O grupo teria prestado o serviço de distribuir o dinheiro do esquema a políticos - entre eles os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ), Pedro Corrêa (PP-PE, José Janene (PP-PR) e José Borba (PMDB) e os deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Os parlamentares e ex-parlamentares estão na relação de réus, assim como Luiz Gushiken e Anderson Adauto, dois ex-ministros do primeiro governo Lula. Na leitura de seu voto, o ministro relator, Joaquim Barbosa, qualificou Dirceu de "chefe incontestável" do esquema. Disse ter pedido a abertura de ação contra o ex-ministro com base em depoimentos, como os de Jefferson, que denunciou o esquema, e de Renilda Santiago, mulher de Marcos Valério. "Admito que há prova mínima de que ele era o mentor supremo da trama e outras pessoas eram meras coadjuvantes", disse. "Ele merece ser investigado."Barbosa afirmou que os encontros entre Dirceu e a cúpula do Banco Rural, instituição financeira acusada de fazer ao PT empréstimos fictícios, que nunca eram pagos, reforçam a tese de que o ex-ministro sabia de todo o esquema. "São no mínimo suspeitas as reuniões do acusado com o banco", disse o relator. Ricardo Lewandowski foi o único dos dez ministros a votar contra a abertura de processo por formação de quadrilha contra Dirceu. "Está se potencializando o cargo do denunciado", alegou. "Não ficou tipificado com todos os elementos o delito de formação de quadrilha." A posição do ministro foi isolada. "O esquema é escancarado", opinou Marco Aurélio Mello. Na avaliação do ministro Gilmar Mendes, "é difícil imaginar que complexas negociações pudessem ser feitas sem um respaldo político".

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