Supremo quer que Lula esclareça grampos da Abin, diz Mendes

Ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, e parlamentares do Congresso teriam sido grampeados, afirma 'Veja'

José Maria Tomazela e João Domingos, de O Estado de S. Paulo, SÃO PAULO

30 de agosto de 2008 | 12h35

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve esclarecer os grampos da Abin em gabinetes do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo. "A Corte vai se reunir para decidir que providências tomar depois da confirmação do grampo", declarou Gilmar Mendes neste sábado, 30. O presidente do STF disse que o País vive "um quadro preocupante de crise institucional." De acordo com matéria publicada pela revista Veja desta semana, o gabinete de Gilmar Mendes foi grampeado por agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Em nota, a agência anunciou que deve instalar uma sindicância interna para apurar os grampos ilegais.  Veja também:Abin diz que abrirá sindicância para apurar grampos 'Lula terá que tomar providências', diz Garibaldi Grampeado, Demóstenes exige medidas de Lula   "O próprio presidente Lula deve ser chamado às falas", disse Mendes. O presidente do Supremo afirmou que recebeu um telefonema na manhã deste sábado do vice-presidente do Supremo Cezar Peluso e, a partir disso, tomou a decisão de convocar uma reunião com os outros dez ministros do Supremo já na segunda-feira, 1º. Mendes afirmou ainda que, com os grampos, há uma "prática continuada, reiterada de violação dos termos da Constituição." De acordo com a revista, também foram grampeados o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), Álvaro Dias (PSDB-PR), Demóstenes Torres (DEM-GO) e Tião Viana. Mendes declarou que vai exigir uma investigação enérgica e medidas sobre o caso. Segundo ele, o que se praticou foi um crime muito grave e que há um "descontrole no aparato estatal" do País. O presidente do STF manifestou grande preocupação em relação a um "Estado policialesco" que está se instalando no País. Por fim, Mendes confirmou o conteúdo da conversa que teve com o senadores Demóstenes Torres o que, para ele, dá sinais evidentes de que seu telefone foi grampeado. Grampos Outras vítimas dos grampos foram os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, além de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não há detalhes das conversas deles capturadas pelo serviço de espionagem.  A prova de que Gilmar Mendes foi mesmo vítima do grampo é a transcrição de uma conversa de cerca de dois minutos entre ele e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), ocorrida às 18h32 do dia 15 de julho. No telefonema, Demóstenes pede a Gilmar ajuda contra a decisão de um juiz de Roraima que teria impedido uma importante testemunha de depor na CPI da Pedofilia, da qual é relator.  No diálogo, Mendes agradece a Demóstenes, por ter subido à tribuna do Senado para criticar pedido de impeachment do presidente do STF, feito por um grupo de promotores descontentes com habeas corpus concedido ao banqueiro Daniel Dantas. Na época, a PF acabara de concluir a Operação Satiagraha, que prendera Dantas, acusando-o de uma série de crimes, entre eles lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção ativa.  De acordo com a Veja, as gravações ilegais feitas pela Abin servem de base para relatórios que são entregues ao presidente da República. Isso - ressalva a revista - não quer dizer que o presidente Lula tenha conhecimento de que seus principais assessores estejam grampeados ou que avalize a operação. Os agentes produzem as informações a partir do que ouvem nos grampos, mas sem identificar a origem. Também é esclarecido que, por serem ilegais, as gravações são destruídas depois de filtradas. A que contém o diálogo entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres teria sido preservada porque, ao contrário das demais, foi produzida durante um trabalho de parceria entre a Polícia Federal e a Abin, na Operação Satiagraha. Os investigadores desconfiavam de uma suposta influência do banqueiro nas decisões do STF e passaram a vigiar o presidente da corte. Texto ampliado às 13h51 para acréscimo de informações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.