Supremo discute se preconceito contra judeus é racismo

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) voltaram nesta quarta-feira a discutir se quem propaga idéias preconceituosas contra judeus comete ou não o crime de racismo. Eles analisam um pedido de habeas-corpus do gaúcho Siegfried Ellwanger, condenado por editar obras com conteúdo supostamente anti-semita.Por enquanto, existem dois votos contra o pedido do editor e um a favor. O julgamento, no entanto, foi interrrompido por causa de um pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes. As cadeiras do plenário do STF foram insuficientes para a quantidade de pessoas que assistiu ao julgamento. Entre os espectadores estavam o ex-ministro Celso Lafer, o presidente do rabinato da congregação israelita paulista, Henry Sobel, e outras pessoas da comunidade judaica. "A Justiça deve punir exemplarmente quem fomenta o ódio e o preconceito", disse Sobel. "A falta de uma punição exemplar criará um precedente perigoso e dará sinal verde para outros neonazistas e anti-semitas de toda a espécie", advertiu.Na realidade, o julgamento começou em dezembro, quando o relator, ministro Moreira Alves, deu um voto favorável à concessão de habeas-corpus a Ellwanger. Na ocasião, a votação foi interrompida por um pedido de vista do ministro Maurício Corrêa. Nesta quarta-feira, Corrêa leu um voto mantendo a condenação do editor. Ele foi acompanhado pelo ministro Celso de Mello.

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