Supremo adia julgamento de Palocci e atrapalha PT

Deputado conta com absolvição para investir em candidatura a governador

Mariângela Gallucci, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu adiar o julgamento que vai definir se será aberta ou não uma ação penal contra o deputado Antonio Palocci (PT-SP). Virtual candidato do PT ao governo de São Paulo, Palocci foi investigado por suspeita de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Leia reportagem do ''Estado'' que revelou o caso envolvendo PalocciO adiamento da decisão atrapalha o cronograma do PT para a eleição do próximo ano. Se o STF concluísse rapidamente que o deputado e ex-ministro da Fazenda não teve participação na quebra ilegal do sigilo, ele estaria livre das acusações e poderia começar a trabalhar com mais força, dentro do PT, pelo lançamento de sua candidatura ao governo paulista.Além de possível candidato a governador, Palocci é citado com frequência como a segunda alternativa do PT para a disputa pelo Palácio do Planalto. Ele seria a opção na eventualidade de a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, desistir de concorrer à Presidência.O julgamento do inquérito estava previsto para ocorrer na próxima quinta-feira no STF. Mas foi adiado porque o tribunal não estará com quórum completo. O ministro Carlos Alberto Menezes Direito está de licença médica até o fim de junho porque se submeteu a uma cirurgia no pâncreas. Outro integrante do tribunal adiantou que não poderá participar da sessão de quinta. Pela importância política do julgamento, o STF quer que a decisão seja tomada com a presença de 10 ministros.ENTREVISTAA quebra do sigilo bancário de Francenildo Costa provocou a saída de Palocci do Ministério da Fazenda, em março de 2006. Três semanas antes, o Estado tinha publicado uma entrevista na qual o caseiro falava sobre a realização de festas e partilha de dinheiro em uma casa no Lago Sul, bairro de classe alta de Brasília, envolvendo um assessor de Palocci e empresários que haviam celebrado contratos com a Prefeitura de Ribeirão Preto. O local ficou conhecido como a República de Ribeirão Preto. Segundo o caseiro, Palocci, que foi prefeito da cidade, frequentava a casa. Dias depois, Francenildo teve seu sigilo bancário violado.

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