Ed Ferreira/Estadão
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Supremo abre inquérito contra Júlio Delgado na Lava Jato

De acordo com reportagem da Veja, o deputado mineiro teria recebido doações da UTC para barrar a convocação do dono da empresa, Ricardo Pessoa, na CPI da Petrobrás na Câmara dos Deputados

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2015 | 20h04

Atualizado às 21h59

Brasília - O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para investigar suposto envolvimento do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) na Operação Lava Jato. O procedimento foi autorizado pelo ministro Teori Zavascki, relator da investigação na Corte, após chegada do pedido feito pela Procuradoria-Geral da República. Na quarta-feira, Zavascki encaminhou todo o material relativo ao parlamentar para a Polícia Federal, que junto com a Procuradoria é responsável por realizar as medidas de investigações do deputado.

Delgado foi mencionado pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, em delação premiada, segundo revelou a revista Veja. Nos depoimentos, o empreiteiro entregou uma planilha com repasses de propina que a empresa teria feito a campanhas e partidos políticos, na qual consta que Delgado foi destinatário de R$ 150 mil. O deputado foi candidato pelo PSB à presidência da Câmara em 2014.

O conteúdo do pedido de investigação feito pela Procuradoria é mantido em sigilo no STF. O parlamentar é o segundo político do PSB investigado na Lava Jato perante o Supremo. Além dele, o senador Fernando Bezerra (PE) é alvo de um inquérito desde março.

No total, 62 pessoas – incluindo parlamentares com mandato e um ministro de Estado – já são investigados pelo STF e o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Há ainda investigações já abertas pelo Supremo que permanecem ocultas no sistema do tribunal, sem divulgação de nomes dos investigados. A maioria dos casos sigilosos tem como base a delação de Pessoa, mantida em segredo de Justiça.

Suspeita. De acordo com reportagem da Veja, o deputado mineiro teria recebido doações da UTC para barrar a convocação do dono da empresa, Ricardo Pessoa, na CPI da Petrobrás na Câmara dos Deputados. Delgado afirma que apresentou requerimento de Pessoa no primeiro dia de instalação da CPI e que o empreiteiro se manteve em silêncio diante dos questionamentos. “O empresário calou-se, respondendo com seu silêncio”, disse Delgado.

Pessoa tem permanecido calado nas sessões da comissão para evitar, segundo sua defesa, que a divulgação de informações sigilosas prejudiquem as investigações e seu acordo de delação premiada.

Defesa. O deputado Júlio Delgado disse não ter sido notificado ainda a respeito da investigação perante o Supremo Tribunal Federal. Ele confirmou que a UTC, de Ricardo Pessoa, realizou uma doação ao diretório do partido, que foi distribuída entre 16 candidatos, com devido registro nas prestações de contas.

“Para a minha campanha direta não foi um centavo da UTC. Nunca passei na porta da Petrobrás, não poderia intermediar nenhum tipo de favor para essas empresas”, afirmou Delgado. O parlamentar se definiu ainda como “absolutamente tranquilo” com o andamento das investigações. “Tenho consciência da minha isenção e inocência e confio na imparcialidade do procurador-geral da República, Rodrigo Janot”, afirmou.

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