Supremo abre inquérito contra filho de Lobão

Senador é suspeito de falsidade ideológica e formação de quadrilha

Mariângela Gallucci, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2008 | 00h00

O ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou abertura de inquérito contra o senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA), o Edinho, por suspeita de falsidade ideológica, uso de documento falso e formação de quadrilha.Segundo o Ministério Público Federal, Edinho, filho e suplente no Senado do ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, é sócio dos irmãos Marco Antônio e Marco Aurélio Pires Costa em empresas de distribuição de bebidas. De acordo as investigações, há suspeita de uso de "laranjas" em várias das empresas para prática de sonegação fiscal.Em sua decisão, Direito determinou a quebra do sigilo bancário de Edinho e dos irmãos Costa. O ministro também autorizou a Polícia Federal a ouvir "a convite" o senador. A PF no Maranhão deverá ouvir os outros investigados.O Ministério Público Federal observou que há depoimentos de testemunhas relatando as supostas irregularidades. Num desses depoimentos, dado em um processo trabalhista, um ex-gerente da empresa Itumar disse que ocorreram diversas irregularidades, como "vendas frias". Em outros depoimentos, teria sido relatada a existência de "procurações falsas".Pesam ainda contra Edinho outras duas suspeitas de irregularidades envolvendo seus negócios. A empresa distribuidora de bebidas da qual seria sócio oculto foi investigada como principal beneficiária em uma fraude na Companhia de Processamento de Dados do Maranhão (Prodamar) entre 1993 e 1994. Mais de 3 mil notas fiscais de 205 empresas foram apagadas do sistema na fraude.O senador também foi considerado suspeito pelo Ministério Público no Maranhão por não esclarecer origem de recursos para comprar, nos anos 90, o Sistema Difusora de Rádio e TV.Procurado ontem, Edinho não foi localizado. Em janeiro, ao tomar posse na vaga do pai, ele não apresentou documento de defesa. Posteriormente, mostrou declaração de 2005 registrada em cartório, por meio da qual Marco Antônio o inocenta das acusações de transferir para o nome de uma empregada doméstica a propriedade de empresa com problemas com a Receita do Estado. Segundo a declaração, o ex-sócio assumiu a responsabilidade no caso.

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