Suposta ligação do Brasil com Farc não afeta relações--Colômbia

O ministro das Relações Exteriores daColômbia, Jaime Bermúdez Merizalde, afirmou na quarta-feira quea suspeita de que integrantes do governo brasileiro mantenhamligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(Farc) não afeta as relações entre os dois países. No mês passado, a revista colombiana Cambio publicoureportagem segundo a qual integrantes das Farc teriam trocadoe-mails citando a suposta proximidade do grupo com assessores eministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O governobrasileiro negou ter tais relações. Em entrevista a jornalistas concedida no Itamaraty,Bermúdez disse que o assunto não constou da pauta da reuniãoque teve com o chanceler Celso Amorim. Ressaltou, no entanto,que o governo colombiano já havia enviado essas informações aoBrasil para que o governo Lula as analisasse e decidisse sedeveria responsabilizar alguém pelo fato. "Esse é um tema que não vai afetar em nada as relaçõesbilaterais", declarou. Os ministros comentaram também a situação de OlivérioMedina. O colombiano, que vive no Brasil desde 1997, informouao governo Lula que era uma espécie de embaixador das Farc. Em2005, a Colômbia pediu a extradição de Medina, mas no anoseguinte o Brasil concedeu a ele o status de refugiadopolítico. A Colômbia acusa Medina de ter participado de açõesdas Farc em 1991. Na entrevista coletiva, Bermúdez disse que a possibilidadede Medina continuar a ter ligações com as Farc preocupa aColômbia. Ponderou, entretanto, que cabe ao governo brasileiroverificar se isso é verdade. O governo brasileiro deu refúgio a Medina com a condição deque ele não participasse de atividades com a finalidade deprejudicar ou atacar o governo colombiano. Osecretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz PauloBarreto, concedeu entrevista coletiva no último dia 4 paraassegurar que o Brasil mantém um trabalho de inteligência paraacompanhar o comportamento de Medina. "É algo que vamos examinar com a atenção que merece edaremos a resposta ao governo colombiano no momento adequado",acrescentou Amorim. Os ministros disseram que Brasil e Colômbia não farãooperações conjuntas para combater as Farc. Bermúdez e Amorimtambém discutiram o comércio bilateral, investimentos eparcerias nos setores agrícola e de biocombustíveis.(Reportagem de Fernando Exman)

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