Suplicy quer adiar decisão sobre destino de Heloísa Helena

Disposto a desempenhar o papel de conciliador entre os chamados radicais do partido e o Planalto, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) saiu em defesa da senadora Heloísa Helena e propôs que o pedido de expulsão dos parlamentares, que seria analisado na próxima semana, seja adiado para o fim de junho, durante a reunião do Diretório Nacional do PT. Segundo ele, o mais importante agora é definir quais os procedimentos que o partido vai adotar nos próximos meses em relação às reformas propostas no Congresso.Suplicy contou ter conversado sobre o assunto, na sexta-feira, com o presidente do PT, José Genoino. Na ocasião, afirmou que Heloísa Helena é "um patrimônio do partido" e que ela demonstrou "simpatia" pela proposta de entrar na Justiça contra a propaganda do governo sobre a reforma da Previdência, mas não o fez. "Não houve fato concreto. Muito melhor do que discutir a expulsão seria fazer um esforço para construir um diálogo com ela e os outros parlamentares (contrários à reforma dos inativos, entre outros pontos da reforma previdenciária)", afirmou o senador, durante visita ao Centro de Educação Comunitária da Vila do João, no Complexo da Maré, formada por 16 favelas e uma das regiões mais perigosas do Rio. Toque de recolherSuplicy chegou ao Centro de Educação Comunitária com uma bolsa hippie cheia de cartilhas sobre o projeto de lei de sua autoria que institui a renda básica de cidadania, uma quantia a ser distribuída a todo cidadão brasileiro, a partir de 2005. Durante a visita à instituição, que oferece cursos profissionalizantes e reforço escolar a cerca de 5 mil pessoas da favela, entre crianças, adolescentes e adultos, o senador assistiu apresentações de música e teatro, mas também ficou na frente da platéia. Ele voltou a arriscar o papel do filho famoso, Supla, e, junto com quatro rappers da comunidade, cantou uma música do conjunto Radicais MCs. Descontraído, repetiu os palavrões da letra e chegou a gritar alguns trechos da música.Suplicy permaneceu cerca de quatro horas no local, onde o projeto social é desenvolvido pela ONG Ação Comunitária do Brasil. Pouco depois das 18h, o senador precisou deixar o local, junto com a imprensa, por causa do toque de recolher determinado pelos traficantes da favela. Antes de deixar o centro, ligou, do celular, para seu gabinete e disse. "Estou vivo. Não fui seqüestrado".Veja o especial:

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