Clayton de Souza/Estadão - 03.10.2014
Clayton de Souza/Estadão - 03.10.2014

Suplicy não tira o olho do celular

Ele espera ligação de Dilma para marcar audiência

ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2015 | 03h12

Uma ligação telefônica do Palácio do Planalto. Esse é o maior desejo do senador Eduardo Suplicy, do PT, no momento.

Ele aguarda ser chamado para uma audiência com a presidente Dilma Rousseff, do mesmo partido dele, antes do final do seu mandato, no dia 31 de janeiro. Em quatro anos de governo, apesar de vários pedidos, Dilma nunca o recebeu em audiência a sós.

O mais recente pedido para se encontrar com a presidente foi feito na cerimônia de diplomação de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no dia 18 de dezembro. Suplicy entrou na fila de cumprimentos e, quando chegou sua vez, foi direto:

- Estou no aguardo daquela audiência. Espero ser recebido por vossa excelência antes do final de meu mandato.

- E quando termina o mandato? - Dilma perguntou, segundo o relato do senador.

- No dia 31 de janeiro. Eu acho que o meu pedido de audiência é justo, após tantos anos atuando como senador do PT.

- É mais do que justo, senador. Vamos combinar!

Dilma encerrou a conversa pedindo um abraço a Suplicy, que atendeu alegremente.

Já se passaram 34 dias e, até agora, nada. Suplicy já ligou mais de uma vez para os dois secretários do Planalto que cuidam da agenda presidencial.

Nesta semana lhe disseram que Dilma anda ocupada recebendo ministros em audiência e que isso faz parte da rotina de início de mandato. Como são 39 ministérios, ainda não se sabe quando a agenda fica livre.

Ontem, Suplicy enviou uma carta a Dilma, com cópia para o ministro chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. O pretexto foi uma sugestão para que ela vá ao Congresso falar de suas metas e planos de governo, a exemplo do que fez o americano Barack Obama na terça-feira. Ao final da carta, lembrou que os últimos dias de seu mandato serão de 26 a 28 de janeiro. Nos dias 29 e 30 estará fora da capital federal, após 24 anos de Senado.

Não foi o primeiro lembrete por escrito. No dia 2 de janeiro, Suplicy já havia encaminhado uma carta adiantando detalhes da conversa que gostaria de ter com ela. Tratariam, como não poderia deixar de ser, da Renda Básica da Cidadania - a principal bandeira política do parlamentar petista em seus dois mandatos como representante do eleitorado paulistano no Senado.

Outro pedido por escrito já havia sido entregue em outubro de 2013. Convidado para participar de um encontro entre a presidente e o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes, Suplicy aproveitou e entregou uma carta a ela. Sobre a Renda Básica.

Nas duas missivas sugeriu à presidente que comece a implantar gradativamente o programa no Brasil. Também sugeriu um conselho de notáveis, originários da área econômica, para cuidar do processo. Apresentou até sugestões de nomes.

O Renda Básica está no programa do PT. Tudo indica, porém, que é para ficar no papel. Nenhum governo petista está disposto a levar adiante a proposta. A grande bandeira deles é o Bolsa Família, que atende a famílias mais carentes, enquanto Suplicy propõe uma renda básica a todos os cidadãos.

A insistência do senador soa como um ruído incômodo. Sem a audiência com Dilma, o que ele conseguiu por enquanto foi ser nomeado pelo prefeito petista Fernando Haddad para a Secretaria Municipal de Direitos Humanos. Assume no dia 2.

Tudo o que sabemos sobre:
Eduardo SuplicyDilma RousseffPT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.