Suplicy mostra cartão a Sarney

Gesto teatral reacendeu clima de guerra no Senado

Carol Pires e Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

Exatos sete dias depois de o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ter sido absolvido no Conselho de Ética, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) subiu à tribuna ontem para pedir sua renúncia e, em um gesto calculado, empunhou um "cartão vermelho", deixando claro seu veto à presença do peemedebista no comando da Casa. Foi o suficiente para reinstalar o clima de guerra que predominou no plenário do Senado, desde o início de agosto até o julgamento de Sarney. Só havia um representante da chamada tropa de choque do PMDB no plenário vazio - o senador Almeida Lima (SE), que logo saiu em defesa de Sarney. Mas o embate atingiu temperatura elevada, a ponto de Suplicy perder o controle e se irritar na tribuna, com a intervenção do primeiro-secretário da Mesa Diretora, senador Heráclito Fortes (DEM-PI). "V.Exa devia apontar o cartão vermelho para o Lula, que foi quem atravessou o campo, invadiu as dependências do Senado e deu cartão amarelo para o líder Aloizio Mercadante", devolveu Heráclito, que momentos antes também recebera cartão vermelho. Antes de pedir aos garçons do plenário que servissem um suco de maracujá ao petista, Heráclito disse que Suplicy não tinha autoridade para assumir o papel de juiz, até porque "estava no banco, como suplente no conselho", e o acusou de ir à CPI das ONGs, que ele presidia, "para destruir a apuração". A despeito dos ataques do DEM e de Almeida Lima, que o criticaram por não acatar o resultado "legítimo e legal" do conselho, Suplicy não ficou sozinho. Teve o apoio do líder do PSOL, José Nery (PA), e do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). O pedetista saudou o "gesto genial" de Suplicy de empunhar o cartão vermelho e observou que há tempos procurava uma forma de sensibilizar a sociedade para a questão do Senado. Suplicy enumerou sete denúncias contra Sarney que, a seu ver, ficaram sem resposta, como a contratações de parentes e os negócios da Fundação Sarney, revelados pelo Estado.

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