Suplicy e Aloysio batem boca por causa de Pinheirinho

Na audiência pública realizada hoje pela Comissão dos Direitos Humanos do Senado houve bate-boca entre os senadores Eduardo Suplicy (PT) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), ambos de São Paulo, por causa da desocupação do bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos.

ROSA COSTA, Agência Estado

23 de fevereiro de 2012 | 19h46

Aloysio Nunes acusou os senadores Suplicy e Paulo Paim (PT-RS) de politizarem a o episódio para favorecer o partido nas eleições municipais. Como argumento, o senador tucano disse que nenhuma atitude foi tomada pela CDH quanto a desocupações ocorridas no Distrito Federal e no Acre, cujos governadores são do PT. Paulo Paim, que é presidente da comissão, estava ausente.

"É um procedimento unilateral que visa a instrumentalizar a comissão por partidos políticos, no caso o PT, e outros grupos, como o PSTU, que o usa para terceirizar seu radicalismo", disse Aloysio Nunes. Ele chamou os líderes comunitários dos que foram desalojados de "parasitas", atribuindo a eles "a radicalização, o circo", dias antes da reintegração da posse da área.

A audiência na CDH foi convocada para que fossem ouvidos os líderes comunitários, o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartoni, e líderes comunitários envolvidos com o movimento de resistência criado no bairro do Pinheirinho. Na ação, foram tiradas 1,6 mil famílias da área, num total de cerca de 6 mil pessoas.

"Tinha gente querendo brincar de insurreição, pseudorrevolucionários prontos para radicalizar", atacou Aloysio Nunes. Segundo o senador tucano, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB)), não mandou um representante para a audiência de hoje porque sabia que ali haveria um "teatro" dos que desejam explorar politicamente o episódio.

O senador Eduardo Suplicy protestou. Aos gritos, pediu que Aloysio Nunes tivesse a "dignidade de ver as cenas de barbaridades que aconteceram no local". Suplicy anunciou que poderá pedir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Antes de entrar com a representação, no entanto, Suplicy anunciou que dará uma oportunidade para que o desembargador Ivan Sartori e os juízes Roberto Capez, Luiz Beethoven Giffone Ferreira e Márcia Loureiro, que autorizaram a ação de despejo, se expliquem à Comissão de Direitos Humanos.

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