Suplicy e Alencar querem "amor" na bandeira nacional

Pensando filosofia em meio à crise política que o governo enfrenta, o deputado Chico Alencar (PT-RJ) e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) querem mudar a expressão "ordem e progresso" da bandeira do Brasil. Propõem que a locução volte ao seu original inventado pelo filósofo positivista francês Auguste Comte (1798/1857): "Amor, ordem e progresso"."Tive a idéia de fazer o projeto depois de assistir à peça ´Os Sertões´, dirigida por José Celso Martinez Correa, no último domingo", disse o senador Suplicy. Na adaptação do romance de Euclides da Cunha para o teatro, José Celso propõe o debate em torno da frase da bandeira do Brasil e retoma o tema do amor. Suplicy gostou da idéia e resolveu levá-la para o Congresso, para acrescentar o amor ao ordem e progresso.A proposta de Chico Alencar já foi apresentada. Ele alega que o lema positivista que inspirou a inscrição - "o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim" - na bandeira do Brasil terminou resumido na expressão "ordem e progresso". Para Alencar, esta redução "fez perder a essência da frase original, que procura traduzir o positivismo como a religião do amor, da ordem ou do progresso".A filosofia positivista de Comte adota o método científico como base para a organização política da sociedade industrial moderna. Na sua Lei dos Três Estágios, ele afirma que o desenvolvimento intelectual humano havia passado historicamente primeiro por um estágio teológico: o mundo e a humanidade foram explicados nos termos dos deuses e dos espíritos; no segundo estágio, por intermédio das essências, de causas finais, e de outras abstrações (metafísica); e, finalmente, no último, distinguindo-se por uma consciência das limitações do conhecimento humano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.