Suplicy canta para plenário vazio

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), pai do roqueiro Supla, encerrou o esforço concentrado do Senado em grande estilo: cantou em inglês e declamou poesia. Num apelo de paz ao presidente dos Estados Unidos, George Bush, que ameaça bombardear o Iraque, o senador recorreu ao compositor Bob Dylan, ao poeta Carlos Drummond de Andrade e a trechos de discursos do líder do movimento negro norte-americano, Martin Luther King, para improvisar um pequeno espetáculo no plenário do Senado. O petista recitou os versos de "A Bomba" de Drummond e, depois de traduzir para o português a letra da música "Blowin in the wind", ele cantou, em inglês, a canção que Bob Bylan transformou em hino contra a guerra do Vietnam. Mesmo rouco e interrompendo a fala com espirros, Suplicy não se intimidou. "Quantas vezes precisarão as balas de canhões voarem até que finalmente eles possam ser silenciados? A resposta, meu amigo, está sendo soprada pelo vento", discursou, traduzindo os versos de Bob Dylan para um plenário praticamente vazio. Num alerta, ele pediu que a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, levasse a George Bush a mensagem de paz contida na balada do compositor norte-americano, que ficou conhecida também na voz da cantora pacifista Joan Baez. "Não é costume aqui os senadores cantarem, muito menos em inglês. Mas se Vossa Excelência me permitir uma certa liberdade, eu encerrarei meu pronunciamento cantando esta bela canção para verificar se o presidente George Bush, lá da Casa Branca, assim com o embaixadora, que tem sido muito simpática aqui com todos os candidatos - recebeu Lula - pode ouvir e pedir a seu governo que ouça melhor as recomendações de Martin Luther King e desta canção que tem valor universal e humanitário", disse Suplicy, antes de começar a cantar a música de Bob Dylan. O presidente da sessão, senador Carlos Patrocínio (PTB-TO), não se conteve e sorriu ao final da música. O mesmo aconteceu com a senadora Heloísa Helena (PT-AL), que além de cantar alguns versos, não poupou aplausos ao colega, sentada na primeira fila do plenário.

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