Suplentes terão missão de esfriar caso Sarney

Presidentes de CPI e Conselho de Ética não têm de prestar contas a eleitor

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2009 | 00h00

A indicação do senador Paulo Duque (PMDB-RJ) para o comando do Conselho de Ética do Senado mostra a estratégia adotada pela base governista e pelo PMDB para impedir que as investigações incômodas prosperem na Casa. Duque, de 81 anos, é suplente do suplente e não tem nenhum plano eleitoral para 2010. Assim está blindado contra qualquer pressão da opinião pública, caso decida esfriar no conselho as investigações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).Seu caso não é o único. Para comandar a CPI da Petrobrás, outra agenda delicada para o Palácio do Planalto, foi escalado mais um suplente. O presidente da CPI será o senador João Pedro (PT-AM), que herdou o mandato com a saída de Alfredo Nascimento (PR-AM) para o Ministério dos Transportes. Sem ter de pedir voto, estará à vontade à frente da CPI, podendo se alinhar com os interesses do governo na comissão. Outros 14 senadores estão na mesma condição, de assumir o cargo sem terem sido eleitos. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou há 15 meses uma proposta de emenda à Constituição que reduziria o número de parlamentares sem representatividade, mas não teve apoio do governo para ser aprovada em plenário.Duque ocupa a vaga de Regis Fitchner (PMDB-RJ), suplente do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que não assumiu a vaga porque foi nomeado chefe da Casa Civil do Estado. Nos seus três anos como parlamentar, se destacou na ala do chamado baixo clero, porque deixou clara sua submissão ao líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). O Estado não conseguiu localizá-lo ontem para falar da nova função.Já João Pedro chegou a suplente porque é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e garantiu a presidência da CPI porque, além de Renan, ele não tem cacife político para se indispor contra o relator da comissão, senador Romero Jucá (PMDB-RR), a quem caberá dar as cartas nas investigação. Ele acha "equivocada e desrespeitosa" a ideia de que ele vai se limitar a barrar a apuração."Tenho consciência da posição responsável que assumi, quem me cobra não é o eleitor, é a sociedade", alega o petista, sem convencer os colegas da oposição. É consenso entre eles que a onda de denúncias que se abateu sobre o Senado fortaleceu o papel do suplentes."Muitos deles têm se prestado a um papel que não é digno de um parlamentar, ao dar mais valor às ligações pessoais do que às obrigações do cargo", criticou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Demóstenes Torres (DEM-GO). O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) atribui a indicação de suplentes para cargos importantes ao "deboche que tomou conta da base aliada do governo".

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